No último fim de semana terminou a segunda edição da Oficina do Empreendedor e, mais uma vez, foi um êxito, quer em termos de adesão, quer pelo feedback fracamente positivo dos participantes. Registe-se, com agrado, mais esta importante iniciativa do CEIM, que brevemente anunciará outras edições da Oficina, ainda para o corrente ano.
A principal razão deste meu apontamento é, sem sombra de dúvida, a Cidade do Empreendedor. Mais do que qualquer espetativa que eu possa ter em relação ao evento, aquilo que é pertinente, para mim, é a sua existência e o seu significativo contributo para estimular o empreendedorismo na nossa Região. É muito importante criar oportunidades para que aqueles que se atrevem a desenvolver novas ideias de negócio tenham a possibilidade de mostrar, partilhar e testar essas ideias. A generosidade de uma opinião é sempre um contributo relevante para quem quer inovar e melhorar as suas propostas. Igualmente, a consciência e o estabelecimento de uma comunidade de empreendedores é essencial para identificar casos de sucesso, boas práticas e, estou certo, criar um bom espírito de cooperação que conduza a um dinâmico, criativo e inovador ecossistema associado ao empreendedorismo.
A Universidade da Madeira participa, pela primeira vez, na Cidade do Empreendedor e, para grande surpresa minha a adesão tem sido excecional, principalmente se tivermos em conta o escasso tempo de preparação. Nesta primeira presença, pretendemos mostrar aquilo que fazem os nossos alunos e ex-alunos e, de viva voz, que eles possam testemunhar a importância da formação que obtiveram nesta instituição, nos seus percursos profissionais e empresariais. Eles são certamente os nossos empreendedores e melhores embaixadores. Perante estes exemplos, espero que a própria Universidade saiba refletir sobre a importância de aperfeiçoar a sua “proposta de valor”, de forma a preparar e envolver os nossos alunos em iniciativas de empreendedorismo e estender o ecossistema, que atrás referi, à própria Universidade.
É fundamental que exista entre nós a consciência da necessidade de trabalhar no sentido de criar uma cultura e uma envolvência que potencie o empreendedorismo, deixando de parte a ideia de que estas iniciativas são sempre espontâneas. Acho que é necessário uma mudança de mentalidade, de forma a dar a devida importância a estas iniciativas, criando tolerância ao insucesso, potenciando as colaborações interdisciplinares e deixar de lado a ideia que não se pode ganhar dinheiro, nem desenvolver ideias de negócio num contexto universitário. A nossa associação académica, a AAUMA, é um excelente exemplo da capacidade empreendedora dos nossos alunos. A forma como envolve os colegas nas iniciativas e as ideias de negócio que implementam são muito demonstrativas daquilo que é a capacidade existente. Acredito que a Universidade da Madeira, pela sua dimensão e diversidade de áreas científicas, possui condições únicas para o surgimento de ideias de negócio com sucesso.
A Região e a Universidade dependem da capacidade dos nossos empreendedores, dos nossos jovens, dos nossos talentos para criarem cá valor e para que dessa forma possam contribuir para diversificar e desenvolver a nossa economia.
Agradeço à AJEM e ao seu presidente, o Dr. Nuno Agostinho, a iniciativa e a oportunidade que está a proporcionar à Universidade e aos seus empreendedores. Pelo entusiamo daqueles que irão participar, mas também pela insatisfação demostrada por aqueles que não irão conseguir estar presentes, por falta de tempo para preparar essa participação, antevejo que na próxima edição iremos necessitar, por favor, de uma avenida.
Leonel Nóbrega