Não tenho jeito para balanços e menos ainda para “zandingações”, pelo que estou com grande dificuldade em escolher assunto para este primeiro escrito do ano, que apela sempre um pouco a essa lógica.
Matéria há muita e, aliás, muita dela é essencialmente turística graças aos desmandos dos sindicatos das companhias ditas de bandeira, dos representantes de parte dos trabalhadores da hotelaria ou mesmo por via do que se disse em relação aos números do ano que findou.
Opto por ir por aqui, pelos números, até porque o que me sinto tentado a dizer em relação às greves não caberá nos caracteres que me dispensam nem sei mesmo se consigo manter a serenidade para opinar sem ser indelicado.
O que fizemos nós de diferente, mesmo que somente tacticamente, no produto, no preço na promoção ou na distribuição durante 2014 para conseguirmos estes proclamados resultados? Valerá a pena estudar a fórmula, para a repetirmos em anos futuros?
Ou será que, ao invés, quem tem razão é quem advoga que tudo isto é fruto de factores exógenos, de conjunturas favoráveis e nada tem de mérito próprio, por pouco que seja?
Tenho como seguro que o que foi alcançado não resultou de nenhuma mudança estratégica até porque não se pode alterar algo que não existe mas reconheço mérito em algumas novas abordagens, sobretudo ao nível da promoção e da captação de novos fluxos aéreos.
O caminho, no entanto, ainda é longo, as alternativas são várias mas urge implementá-las, sob pena de continuarmos erraticamente a navegar ao sabor de ventos e marés, porque os resultados, mesmo sendo os melhores de sempre, não passam de satisfatórios.
Não consigo olhar para 40% da nossa oferta de quartos vazia, constatar que a que conseguimos ocupar é a praticar preços muito abaixo do que se devia considerar ideal para um destino que tem mais camas de 5 que de 3 estrelas e afirmar com convicção que isto está uma maravilha!
Depois, temos de ter a capacidade de ler a informação que nos chega e tirar conclusões. Quando se lê que o gasto médio do turista na época baixa é superior em cerca de 6% quando comparado com os gastos na época alta, não vale a pena pensar o que justificará este pouco comum resultado?
Ficam as perguntas para alguém devidamente habilitado poder, se tiver paciência, claro, responder.
André Barreto