Temos de evoluir e melhorar o sistema político em Portugal. Os resultados falam por si e, embora correndo o risco de ser injusto, atribuo grande parte do desenvolvimento que o país teve, não à ca-pacidade dos nossos governantes, mas ao facto de a Europa ter tentado criar uma União e, com isso, ter enviado grandes quantidades de dinheiro para que países como Portugal se pudessem desenvol-ver.

A verdade é que o dinheiro aparecia e era necessário encontrar forma de o gastar, fosse onde fosse, interessasse ou não.

Pode parecer estranho termos dinheiro à disposição e não o gastarmos. Se nos emprestam dinheiro para fazer estradas, estádios, marinas, etc, porque não aproveitar?

Afinal, os governos têm durado no máximo 8 anos até se alternar a cor política. Logo, entre o decidir construir e a inauguração vão os anos necessários para se mostrar obra e ser reeleito para o segundo mandato, e entre a inauguração e a necessidade de começar a pagar as obras vão os restantes anos. Deste modo, para os ministros e primeiro-ministro no poder ficam o gastar e o parecer que fizeram boa figura, enquanto para a po-pulação e governos seguintes fica o pagar.

Isto só acontece porque quem nos governa tem todo o interesse em si próprio e não no país. Infeliz-mente, os interesses pessoais dos governantes, com as devidas excepções, têm-se sobreposto aos interesses de todos nós, levando a que se tomem decisões lesivas e altamente prejudiciais para o pa-ís.

Não preciso aprofundar este tema, visto que tudo o que tem vindo a público com a queda de alguns bancos e o estado geral do país falam por si .

Podemos, de certa forma, concluir que não temos tido os melhores governantes. Não que não exis-tam excepções, mas, no geral e dados os resultados, o que têm feito não tem contribuído para melhorar a vida da população.

É necessário que se alterem as regras para que os incentivos a quem queira ser governante sejam pro-porcionais à responsabilidade que é assumida. Todos nós temos de perceber que as pessoas mais importantes para o nosso desenvolvimento e para a nossa qualidade de vida são os governantes. São estes que tomam decisões por todos nós, decisões essas que afectam a nossa vida por muitos anos. Não será necessário que sejam mais responsabilizados e recompensados pelos resultados da sua go-vernação?

Deixo algumas ideias no sentido de tentar contribuir para que se alinhe as decisões dos nossos go-vernantes com os interesses da população, e não com os seus interesses pessoais:

- Cada candidato/partido político deverá apresentar a sua equipa de governação antes das eleições;

- O programa de governo deverá conter não só linhas gerais, mas também objectivos quanti-ficáveis (por exemplo Valor do PIB, Taxa de Desemprego, Défice/Superavit, Taxa Crescimento, Valor da Dívida, Taxas de Impostos);

- Esses objectivos quantificáveis, a serem atingidos, significarão que a população obteve os resultados que pretendia e que o país está como queríamos que estivesse. Se os governantes cumpriram, devem ser exemplarmente recompensados.

Este último ponto poderá ser o mais controverso, mas é fundamental, pois não existe função mais importante do que ser responsável pela vida de todos nós. Os nossos governantes têm a responsabilidade de gerir o que é nosso e o seu sucesso ou insucesso têm uma consequência directa na nossa vida. Melhorar as nossas condições de vida, dar-nos um futuro, deve ser recompensado de uma forma “milionária”.

Da mesma forma que achamos razoável que os jogadores da Selecção recebam milhões de euros em prémios se atingirem os objectivos nos campeonatos em que participam, não será razoável que os nossos governantes recebam prémios “milionários” se atingirem os objectivos a que se propõem e que por nós são desejados?

Afinal, uma vitória num jogo de futebol pode nos dar prazer durante alguns dias, mas com as decisões dos nossos governantes, temos de viver a vida toda.

É fundamental tornar a política mais atractiva e respeitável, eliminando os incentivos à corrupção, e colocando os objectivos da população e do país em linha com os dos governantes.

Martim Macedo