Gritaram muitas bocas à meia noite, olhando para os arredores montanhosos do anfiteatro, inaugurando com os olhos a chegada do novo ano, com o início do fogo de artifício: Já mudoou ! BOM ANO NOVO! E o 4 tinha mudado para 5!

Mas, não só o 4 mudou para o 5, ... muita coisa mudou, ... nas iluminações da cidade, na direcção de um partido político, na gestão da saúde, alguma coisa mudou nas promenades da baixa com uma nova obra de arte, mudou a Tap, mudou o preço do petróleo e até mudou a relação dos cubanos com os americanos! E muita coisa ainda vai ter de mudar, ... porque mudar é uma coisa absolutamente natural! E se realizada, exactamente de uma forma natural, ainda melhor.

Pois, neste clima mundial de mudanças, não me querendo esquivar em falar das politiquices eleitorais, começo por abordar a obra de arte, recém inaugurada - Sim! - aquela estátua metálica, de bronze, atlética, hirta, estilizada e imponente, denunciando uma concentração de força e de poder ao mesmo tempo, ... que depois recebeu milhentas críticas - de críticos de estátuas, coisa que eu desconhecia que existisse - críticas de cima até baixo, não esquecendo criticar o próprio “vulto” escrotal. No entanto, e se bem me lembro, no meio destas críticas, não vi ou ouvi nenhuma alusão ás estátuas do I. D. Henrique ou do J.G. Zarco, porque não ?... talvez porque as vestes da época dificultam a visualização dos relevantes relevos do corpo...! Estes recentes críticos de estátuas nunca visitaram o “Louvre” ou as “Uffizi”,... com aquelas centenas de belos corpos esculpidos, nus, gregos, romanos ...! Morreriam instantaneamente, logo no primeiro salão - sem direito a indemnização pelo seguro de vida!

Passemos ás mudanças nas iluminações, mais propriamente á apreciação do projecto encomendado. Quem encomenda, se depois não concorda, faz a adaptação e a correção, com o mútuo acordo até um consenso final, de uma forma reservada e construtiva. Mudar as luzes da cidade é natural! O que já não é natural, é aceitar essa mudança sem conhecer como vai resultar a “cena no palco”! Alguém devia estar meio surdo-mudo no dia da encomenda, porque, algumas das cores do “arco-íris”, deviam estar presentes, no contexto do contracto ... embora se saiba de ante-mão, que a cor branca - fisicamente falando - é o conjunto de todas as cores! E agora, a Companhia Tap, que deve mudar ... de mãos, também no meio de um rol de críticas e opiniões - de gente tendenciosamente mal informada - com reacções “estranhas” de partidos políticos representantes de 2/5 da população - população essa, que nem percebe daquilo que estão falando. E tudo isto passa pela cabeça dos comentadores, como se fosse muito importante, um País, possuir uma Empresa de Transportes Aeronáuticos! E já agora, porque não, também possuir cabeleireiros , bares e agências de viagens? E continuando no meu parecer pergunto: - Justifica-se uma greve economicamente calamitosa, a troco de uma guerra de sindicatos por direitos relacionados com uma privatização ?... direitos que, espero eu, existam na nossa Constituição dos anos 70? Que os mesmos políticos comentadores consideram estar actual? Este episódio recente, adicionado a tantas outras greves, justificadas ou não - greves a que já ficámos habituados - com tantos interesses de tantos sindicatos numa única empresa, levam a pensar, se não é motivo “per si”, justificativo da tal privatização.

Nos demais assuntos, particularmente nas eleições, além da mudança, há que dar igual relevo aos novos militantes, o seu reaparecimento, a sua participação activa, demonstrando que há matéria prima para ajudar a trabalhar naquilo que for importante para a Região ... para tudo o que der e vier. Só da união é que pode nascer a força!

Na “sensível” área da Saúde, surgiram algumas mudanças, naturais como é óbvio, mas ainda estamos no “adro”... e não me atrevo a fazer outros comentários, porque aqui, tratam-se assuntos técnicos e gestão de recursos humanos, entre outros. No entanto, não me esquivo de opinar que, os médicos devem trabalhar nos Centros de Saúde e nos Hospitais ... assim como também os padres, devem trabalhar nas Igrejas.

Com tanta coisa que mudou ... e mudou depressa, assim irá continuar, até haver uma estabilização e depois ir mudando quando necessário, sem medos, dogmas ou politiquismos. Na nossa terra, temos de mudar aquilo que a nós diz respeito. E não foi só o 4 que mudou para 5! Podem ter a certeza!

P.S. Aqui já em 2015, vai um abraço para um amigo que ficou em 2014!

José Manuel Morna Ramos