Rui José Ribeiro da Costa A vitória do SYRIZA na Grécia, analisada sobre todos os aspetos, constitui uma lição para Portugal. Não foi só a coragem do povo grego ao rejeitar claramente a politica de austeridade da troika, e ao apostar numa força politica apelidada de radical que nunca tinha feito arte do Governo helénico, que deve ser realçada. De realçar também a rapidez com que o novo executivo, formado por dois partidos de quadrantes ideológicos bastante diferentes, o que portanto obriga a demoradas e difíceis negociações, foi formado: em menos de 24 horas após a contagem dos votos, já o novo primeiro ministro de Atenas era empossado e o seu executivo encontrava-se em funções e a trabalhar. Em Portugal as coisas são diferentes: as últimas eleições legislativas ocorreram em 5 de junho de 2011 e o atual Governo da República só tomou posse em 21 do mesmo mês, ou seja 16 dias depois. O que até foi rápido: quando em 1 de outubro de 1995 o PSD do Prof. Cavaco perdeu as eleições para o PS de António Guterres, este só tomou posse quase um mês depois, em 28 do mesmo mês. E mais exemplos podem ser dados: Santana Lopes perdeu as eleições legislativas em 20/2/2005, e o seu sucessor, José Sócrates foi empossado em 12/3/2005. Por sua vez este quando perdeu as eleições em 5/6/2011 só foi substituído em 21-6… 16 dias depois. Porquê esta diferença? Para que os sufrágios fiquem bem contados e recontados? Porque somos um povo miudinho, e burocrata? Ou talvez para dar tempo a que os ministros dos governos demissionários tenham tempo de limpar tudo o que é comprometedor e dessa forma esconderem os rabos de palha que deixaram? Como a diferença do nº de eleitores da Grécia e de Portugal não é assim tao grande, eu pessoalmente e não querendo ser mal intencionado inclino-me mais para esta última hipótese.