Este é o primeiro Ano Europeu consagrado às relações externas da UE e ao papel da Europa enquanto ator global. O objetivo é o de sensibilizar e envolver os europeus nas políticas da UE de cooperação para o desenvolvimento. Será uma oportunidade para a Comissão Europeia explicar aos cidadãos europeus como funciona a ajuda ao desenvolvimento e para demonstrar que produz efeitos concretos e duradouros não só na vida dos beneficiários dessa ajuda, mas também na vida dos europeus. 2015 é também um ano de mudança nesta matéria: de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, acordados em 2000 pelos 191 membros da Organização das Nações Unidas, é o ano em que a comunidade internacional terá de convergir numa agenda única para a erradicação da pobreza e para o desenvolvimento sustentável. A União Europeia e os seus Estados-Membros são, em conjunto, o maior doador mundial de ajuda pública ao desenvolvimento. A ajuda europeia ao desenvolvimento é distribuída por cerca de 150 países no mundo. Só em 2013, a UE em conjunto com os seus Estados-Membros forneceram mais de metade da ajuda pública mundial. Quanto ao futuro, de 2014 a 2020, cerca de 75% da ajuda da UE será concedida aos países mais pobres, a começar pelos da África Subsaariana. Escusado será dizer que quanto mais estes países ofereçam às suas populações melhores condições de vida, menor será a tentação de arriscarem as suas vidas com a promessa de um futuro mais risonho alhures. Não obstante alguns países da UE terem sido forçados a reduzir as suas verbas de ajuda ao desenvolvimento por causa da crise económica na Europa, o mais recente Eurobarómetro mostra que, surpreendentemente, o empenhamento dos cidadãos europeus nos temas da cooperação e do desenvolvimento não foi abalado. A solidariedade dos portugueses, por exemplo, apresenta 9 em cada 10 inquiridos a considerarem que a ajuda ao desenvolvimento é importante (93%), um dos maiores aumentos entre todos os Estados-Membros. Aliás, em comparação com 2013, os portugueses estão hoje não só muito mais propensos a concordar com a ideia de que tal ajuda deve aumentar (70%), como acham que ela deve ir para além do que já foi prometido (20%) e que a irradicação da pobreza nesses países acabará por ter influência positiva nos cidadãos da UE (83%). Apesar de apenas 15% dos portugueses inquiridos terem revelado estar pessoalmente envolvidos na ajuda aos países em vias de desenvolvimento e apesar de todas as dificuldades que a população portuguesa tem vindo a atravessar, os portugueses mantêm um elevado nível de espírito solidário. Apesar de 66% dos portugueses inquiridos considerar que podem desempenhar um papel na luta contra a pobreza nos países em vias de desenvolvimento, a promoção do Ano Europeu do Desenvolvimento no quadro nacional assume extrema relevância, permitindo não só colocar as questões do desenvolvimento no centro das atenções, como envolver os cidadãos portugueses na tomada de consciência e, sobretudo, em ações concretas. * Chefe da Representação da Comissão Europeia em Portugal
Maria de Aires Soares *