A Igreja não é Charlie? Ainda, emocionado com os recentes crimes terroristas de Paris, analisemos posições institucionais, que barbáries destas suscitam, concretamente da Igreja Católica através do seu Chefe máximo, o papa Francisco. Embora não sendo um militante religioso convicto, é do conhecimento público a minha profunda admiração, quase fanatismo, por um papa que desperta consciências, denuncia a prioridade da especulação financeira em detrimento da pessoa humana, como corajosamente o fez recentemente num discurso na ONU e semeia o pânico nos sectores conservadores da Igreja, contra a hipocrisia de um catolicismo resistente á mudança, cuja prática é contrária aos valores e preceitos do Evangelho. Embora representando Cristo na Terra, a sua condição humana não lhe aufere estatuto de infalibilidade ou, seja pecado, ser alvo de críticas. Vem a propósito as posições que tomou sobre o terrorismo e a natalidade. Bem sei que o fez de forma informal dentro do avião numa visita pastoral, eventualmente menos elaborada e rigorosa e com boa intenção. Afirmar que se alguém chama um nome feio á minha mãe é natural uma reação violenta, (bofetada), para além de uma comparação infeliz, pode levar a dar razão e força ao extremismo Islâmico. A expressão “dar a outra face” é literal? Neste contexto concordo com um sacerdote, pároco do Concelho de Câmara de Lobos, há cerca de trinta anos atrás, respondeu com uma bofetada a uma agressão de que foi vítima, justificando que Deus mandou dar a outra face mas não mandou colocar as mãos atrás das costas. Ainda o papa: “ eu não posso insultar e provocar uma pessoa continuadamente”. É verdade. Mas atenção, não podem os católicos nem podem os islamitas. São humanos uns e outros.. Olho por olho e dente por dente foi doutrina do antigo testamento. A liberdade tem os seus limites , dirão, mas é perigoso professar Maquievel defendendo que os fins justificam os meios. A violência nunca poderá ser tolerada nem explicada sob que pretexto for. Na mesma viagem, o papa Francisco produziu declarações que podem suscitar alguma ambiguidade. Teve a coragem de afirmar: “ Bons católicos não precisam procriar como coelhos” apelando, e bem, á paternidade responsável. Claro que não se referia ás sociedades ocidentais, países de 1º mundo, onde são necessárias medidas responsáveis de incentivo á natalidade. No entanto, ao defender a proibição de contraceptivos, parece-me uma teimosia desnecessária ao nível de alguns dogmas religiosos de impossível compreensão. Não se enquadra aqui a paternidade responsável? A liberdade e a gestão familiar de um casal em todas as vertentes que uma vida em comum implica, merece respeito da sociedade civil e também da Igreja.
Francisco Costa Técnico de arbitragem