A crítica construtiva pode ter um valor incalculável. Uma ideia também. Pensar em criar uma marca é sinónimo de criar um conceito. Mas para tirar partido das ideias é necessário que quem está do outro lado com o poder de decisão tenha igualmente a abertura suficiente para poder aceitar ou rejeitar uma sugestão.

Seja quem for que vá liderar os destinos da Região no próximo ciclo governativo tem uma data marcante a reter no horizonte - 2019 -, ano em que se assinalam os 600 anos da descoberta da Madeira. Essa data poderá ser tornada numa marca da Região - ‘Madeira 600 Anos’ -, um nome curto e fácil de decorar, na prática, um enorme ‘chapéu’ sob o qual podem ser desenvolvidos projectos em várias áreas, também na área cultural, envolvendo entidades públicas e privadas da Madeira, sem receio de trabalhar com parceiros externos sobretudo ao nível de festivais (música clássica, tradicional, erudita, jazz, rock, pop, etc.), que se podem desenvolver com o apoio de instituições de gabarito internacional.

É possível igualmente incentivar a produção literária e histórica, envolvendo as escolas e outros autores, para criar futuras obras de referência. É possível também incentivar a criação tecnológica junto da comunidade madeirense ao nível do desenvolvimento de aplicações para smartphones, tablets e afins que ajudem, por exemplo, a divulgar ainda mais a Madeira. O mesmo poderá ser feito ao nível da produção audiovisual. Enfim. Há um sem número de coisas que se podem fazer no âmbito do ‘Madeira 600 Anos’.

O 'conceito' geral não será certamente novo no Mundo e já foi desenvolvido noutras paragens com outras efemérides, mas é possível fazê-lo cá, inovando e sobretudo aprendendo com os erros dos outros. Para além das naturais mudanças de orientação que irão surgir no próximo ciclo governativo, por exemplo, na área da Cultura, há igualmente neste novo quadro comunitário oportunidades de financiamento que podem ajudar a suportar o ‘Madeira 600 Anos’. Há até verbas comunitárias para a construção de infra-estruturas culturais. Porque não erguer um amplo Museu da História da Madeira, virado para o século XXI e financiado com dinheiros europeus? Ou um Museu de Arte Moderna como se falou em tempos, igualmente financiado com dinheiros da União Europeia, que coloque a ilha no roteiro dos grandes museus? Ou então a construção de uma Casa da Música que possa servir como sala de espectáculos capaz de acolher eventos culturais de âmbito internacional no futuro? Etc., etc., etc.

Por isso, tão ou mais importante do que andar a debater se a esquerda está com medo de governar a Madeira ou se o PSD encontrou em Albuquerque um líder capaz de renovar e guiar o partido a uma maioria absoluta, é também ter a capacidade desprendida de olhar para os anos que aí vêm, plenos de obstáculos e dificuldades, é certo, mas igualmente cheios de oportunidades e desafios em várias áreas. Basta que haja vontade entre quem vá governar e também na sociedade civil para abraçar projectos de grande amplitude que possam projectar a Madeira além-fronteiras, potenciar a economia e deixar uma marca.