Desde a mais tenra idade os desafios são frequentes e ainda bem que tal acontece, pois funcionam como poderosos motores do desenvolvimento humano. Aprender a dar um laço no cordão dos ténis é um desafio complexo para uma criança e que põe à prova a capacidade de comunicação e entendimento entre um adulto e a criança. Essa aprendizagem decorre no seio da família mas também no jardim-de-infância e para o sucesso no processo e formação individual contribuirão diversos fatores, nomeadamente a atitude dos adultos que deverá ser positiva e construtiva e nunca descomprometida. Limitar-se a atar o cordão e a deixar o ensino dessa tarefa ao jardim-de-infância faz com que o progenitor “ganhe” uns minutos no seu dia mas perca uma excelente oportunidade de comunicação privilegiada com a sua criança. Outro procedimento com efeitos ainda mais negativos consiste na reprovação do método ensinado na escola, manifestada diretamente à criança quando, mesmo em dia de passeio, se interrompe a criança no ato voluntário de o fazer. Atira-se ao lixo uma oportunidade de educar a pensar e de ensinar a tomar decisões refletidas. Ora, é bem conhecido que para o sucesso no ensino não só contribui o trabalho desenvolvido na escola. A valorização da escola pela família e pela sociedade em geral é determinante. Educar e ensinar não são tarefas exclusivas do professor. Todo o ser humano ao desenvolver uma ação presenciada pode assumir o papel de educador, sobretudo quando a maturidade ou a formação de quem vive a experiência se encontra numa fase mais facilmente influenciável. É comum ouvir-se dizer que a matemática está em todo o lado. Pois é mesmo verdade! Por vezes surge de forma discreta mas nunca hesitante. Está lá e é para ficar! Todos precisamos dela e felizmente muitos a apreciam. Bem merece! E ela recompensa-os em conhecimento e competências! Quem já sentiu o prazer de ultrapassar desafios dados por problemas matemáticos ou conseguiu resolver exercícios de forma autónoma depois de um estudo dedicado, sabe que lucrou a vários níveis. Muitas crianças vivem essa experiência e se valorizarmos esses momentos e os alimentarmos, apostando num ensino que privilegie o desafio progressivo e equilibrado e a auto estima, estaremos apostando num futuro bem estruturado. Assim, as primeiras conversas sobre matemática no seio da família devem ser amáveis para esta disciplina e encorajar a sua aprendizagem pois toda a família lucrará com isso. Ao aprender matemática munimo-nos de conhecimentos úteis e de uma linguagem com regras estruturadas e compreensíveis, estrutura-se o pensamento, entende-se o que significa um caso particular, uma generalização, um contra exemplo, aprende-se a justificar, formula-se conjeturas e aprende-se a testá-las e a decidir sobre a sua veracidade ou falsidade. Aprende-se para a vida. Nas aulas de matemática há espaço para o cálculo, para a memorização, para a descoberta, para a partilha, para aplicar, para debater. Diversos destes objetivos podem ser atingidos recorrendo a uma dialética usada na resolução de um problema ou debate sobre um tema transversal ao conhecimento. No raciocínio matemático a justificação e a sua exposição a terceiros são boas ferramentas de desenvolvimento da linguagem e de estruturação do pensamento lógico. Nos primeiros anos a aprendizagem privilegia a manipulação de materiais e, pouco a pouco, se vai preparando o terreno para a abstração que vai sendo introduzida de forma gradual. Em qualquer fase do seu desenvolvimento o indivíduo é familiarizado com a necessidade da reflexão que pode ser mais ou menos assídua e mais ou menos exigente. Na sala de aula os professores, entre eles o de matemática, vão adequando as metodologias de ensino à especificidade dos temas a ensinar, aos níveis de desenvolvimento cognitivo dos seus estudantes e aos objetivos a atingir, devendo justificar a importância da aprendizagem dos temas a estudar e contribuir para a auto estima dos alunos. O maior obstáculo ao conhecimento é a falta de auto estima e provavelmente um dos maiores responsáveis pelo abandono escolar. Contribuir para a erradicação desse sentimento nos alunos é dar um passo de gigante na ajuda à sociedade. Atrevo-me a afirmar que nas aulas de matemática é frequente se crescer sem se aperceber! Abraçar a profissão docente, em particular a docência da matemática, é decidir participar de forma ativa e intensa no presente e no futuro da sociedade em que se está integrado. O ensino da matemática a uma criança, a um jovem ou a um adulto não se reduz à transmissão de conhecimentos. A transmissão de valores, o desenvolvimento da auto-estima, o gosto pela descoberta, o saber ouvir e ser ouvido, o gosto por pensar, a importância do espírito de sacrifício, da persistência e da iniciativa, o desenvolvimento da autonomia no trabalho e no raciocínio, sem descurar a entre ajuda, são aspetos transversais às aulas de matemática dos vários níveis de ensino, fundamentais na formação de um indivíduo. Um dos maiores prazeres de um professor de matemática consiste na constatação de que os seus alunos, e devido ao trabalho desenvolvido com ele, conseguem raciocinar de forma independente e que o fazem de forma empenhada. Mas há que ter em atenção que o estudante nem sempre reúne maturidade e conhecimento suficientes para valorizar, no momento da aprendizagem, o que aprende, e, nesses momentos, pôr em prática a capacidade de sacrifício pode ser importante. No ensino superior, por exemplo, os conteúdos de algumas disciplinas dos primeiros anos funcionam como alicerces que sustentam o conhecimento de disciplinas mais avançadas. A criação de uma proposta de plano de estudos de um curso de ensino superior é feita de forma criteriosa, obedecendo à lei em vigor e onde é justificada, perante diversos órgãos internos da instituição, a pertinência de cada disciplina aí incluída. Depois de aprovada, e seguindo a lei, a proposta é submetida à acreditação da Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior, usualmente um ano antes da sua oferta pública. Deste modo, a inclusão de determinadas disciplinas de matemática nesse curso é consequência de uma necessidade de aquisição de conhecimentos específicos e de desenvolvimento de competências intrínsecas às mesmas, as quais deverão contribuir para a garantia da qualidade desse curso.

Custódia Drumond Pró-reitora da UMa