Sei que os meus colegas macroeconomistas continuam a alertar os seus alunos, assim como eu fui alertado na primeira vez que estudei Macroeconomia, para o facto que a lógica económica que aplicamos aos indivíduos e às famílias deve ser repensada quando analisamos os problemas das Nações e das Regiões. Um dos aspetos em que existe uma grande diferença é o da dívida, pois a dívida das famílias pode-se extinguir sem ser paga mas tal nunca acontece no caso das Nações. Assim no caso das famílias a dívida extingue-se se os herdeiros não aceitarem a herança se os Pais forem muito gastadores e terminarem os seus dias com dívidas não passando, deste modo, a dívida para a geração seguinte ou, como infelizmente se tem visto muito frequentemente nos últimos anos, a família pode tornar-se insolvente com todas as consequências que tal situação acarreta. No caso da dívida pública a geração seguinte vai herdar a dívida que nós lhe deixarmos, por isso devemos todos estar atentos à evolução da mesma. Como tem sido a evolução da dívida pública portuguesa?
Acredito que alguns mais distraídos não saibam a situação da dívida nesta altura e qual a sua evolução ao fim deste período de grande austeridade e de sacrifícios que temos atravessado. Longe vai o ano de 1981 em que a dívida per capita era de 242,4 €, ou seja cada Português “tinha uma dívida” de menos de 250€ pois em 2013 a dívida de cada um de nós era de 19532€ ou seja quase de 20000€, sendo que esta dívida per capita aumentou de mais de 5000€ para cada um de nós desde de 2010.
Penso que não é preciso ser macroeconomista nem mesmo economista para perceber que a austeridade não tem resolvido o problema da dívida e nem vai resolvê-lo e que não estamos em condições de afirmar que o pior já passou.
Se o problema fosse o de uma família a solução seria sentarem-se todos à volta de uma mesa e verificarem quais as despesas que podem cortar, as receitas que podem aumentar e depois chegarem a um acordo com os credores de negociação da dívida. Pergunto aos meus colegas macroeconomistas se tal não se poderia fazer no caso da dívida do Estado?
Não sendo possível aos mais jovens não aceitarem a pesada herança que lhes vamos deixar só lhes resta pegarem nas malas e partirem para países onde a dívida é muito menor, agravando, pela perda de capital humano, o problema de Portugal.
Pedro Telhado Pereira