O sector turístico regional está em foco neste início de ano. Primeiro, pelos excelentes resultados da hotelaria, obtidos no ano passado, em ocupação e vendas.
Segundo, porque juntam-se aí dois documentos importantes para a Madeira poder planear o seu futuro. Terceiro, porque iremos ter mudança na tutela e isso espevita uma nova atitude de quem governa.
Os excelentes resultados que acima referi foram trazidos em cada mês pelas estatísticas oficiais, e mostram que há hotéis a trabalhar muito bem, com mais clientes e mais receitas. Reclamarão certamente a maior carga fiscal, mas pelas percentagens obtidas e pela pouca variação das massas salariais (alguns até reduzem postos de trabalho) estamos em crer que o ano foi bom para esses empresários, alguns agora a respirar melhor… Numa análise simples, claro, de quem não confronta números, mas sim estatísticas e percentagens. Espero não andar longe da realidade.
Temos mais dois documentos para apoiar o turismo. Um POT que surgiu há poucos dias e um Plano Estratégico que será revelado nesta semana. A meu ver, poderiam estar melhor ligados, no tempo e no envolvimento das entidades que, afinal, são parceiras no mesmo negócio. Pelos vistos, houve quem se interessasse em promover ‘quintas’ e divisões que não ajudam. Mas tenho esperança de que se irão poder conjugar.
A mudança na tutela é um ponto importante. É imposta por um novo ciclo governativo na Região Autónoma. Nada mais será como antes. Para quem tem pressa de trabalhar para o futuro, e confesso que sigo esse pretexto com alguma urgência, temos de deixar de falar do passado. A lição está aprendida. O turismo e os transportes são dois sectores que têm de trabalhar juntos. Para resultar é preciso trabalho, é preciso negociar, é preciso investir e empreender uma política aberta e eficaz de forma a garantir segurança aos diversos parceiros, nacionais e internacionais. A Madeira precisa de quem domine os dossiês e de quem, desprendido de interesses, possa ser um bom negociador, com visão de futuro e dedicado a esta arte de interessar pessoas e companhias. Mas precisamos de investimento, porque a boa-vontade não é suficiente. Precisamos, em casa, dos melhores profissionais, para termos o melhor destino. Que não se constrói com o apelo obsceno ao voto quando organizações internacionais abrem essas votações. A sorte dá muito trabalho. Os títulos devem resultar de uma dinâmica ganhadora e não do estímulo do voto, na contrapartida do favorzinho.
Por tudo isso, estar na hora certa e no lugar certo, é muito importante. Tenho pensar optimista, mas perco-me em reflexões menos positivas. Talvez, para garantir a esperança. Espero que a lição do passado tenha sido aprendida, repito.
Catanho Fernandes