-O sector da Saúde tem uma importância vital em todas as sociedades democráticas e desenvolvidas do mundo e a Madeira, se aspira a ter uma sociedade desse tipo, tem de saber valorizar e saber gerir e administrar este sector. Não existe liberdade plena numa sociedade que não consegue garantir a saúde dos seus cidadãos e ninguém que esteja doente se pode sentir verdadeiramente livre. É por isso que o Serviço Nacional de Saúde é considerado como a grande conquista do “25 de Abril” e que o Serviço Regional de Saúde foi durante muitos anos uma das principais bandeiras da nossa Autonomia. A Saúde está intimamente ligada e relacionada com a Política e um novo ciclo político implica mudanças na Saúde. Da mesma forma, uma Saúde mal gerida levará a uma inevitável mudança de protagonistas políticos, visto que todos nós, potenciais utilizadores de cuidados de saúde e eleitores, independentemente da nossa idade, saúde, rendimentos ou outros factores, somos muito sensíveis aos casos negativos nos hospitais e centros de saúde que vão sendo relatados na comunicação social porque percebemos que podiam acontecer connosco ou com alguém que nos seja próximo.
O melhor sector de actividade de Portugal é a Saúde e na Região Autónoma da Madeira isso também terá de acontecer. Sou testemunha dos verdadeiros milagres que são feitos diariamente pelos nossos profissionais de saúde, face às carências que enfrentam, mas o desempenho dos nossos profissionais não pode estar dependente de inspiração divina, é preciso garantir condições que permitam atendimentos com qualidade e segurança. Com um novo ciclo político a iniciar-se irá ocorrer igualmente um novo ciclo na nossa Saúde em que será necessário inverter rapidamente o rumo descontrolado dos últimos anos e encontrar as pessoas certas, com preparação técnica, inteligência e coragem, para colocar as coisas como elas devem de ser.
Os últimos anos foram dramáticos para a nossa Saúde e representaram um retrocesso de décadas que irão levar anos a recuperar. A substituição de algumas pessoas não significa a resolução dos problemas criados ao longo de anos por estas, nem apagam as consequências dos seus actos irresponsáveis e megalómanos. Não é apenas com demissões que se apagam as responsabilidades dos demitidos e as responsabilidades daqueles que os demitiram e existem outros, igualmente responsáveis, que ainda se mantêm onde sempre estiveram. Uns e outros continuam a ser responsáveis pelo fracasso dos últimos anos e por todas as suas consequências para o futuro da nossa Saúde. Exige-se uma maior moralização e responsabilização na nossa Saúde pois estes últimos anos levaram a que a Madeira tenha uma Saúde cada vez mais distante dos níveis médios de qualidade, acessibilidade, conforto e segurança que existem no Continente e Açores. O novo ciclo que se aproxima terá de mudar tudo para voltarmos a ser aquilo que já fomos.
- Lamento profundamente a morte daqueles que tiveram, através de simples caricaturas, a coragem de brincar com coisas sérias e assim levar as pessoas a pensar.
O falecido director do “Charlie Hebdo”, o caricaturista Charb, disse “prefiro morrer de pé do que viver de joelhos” e penso que isso sintetiza a atitude que todos nós devemos ter na nossa vida perante tudo aquilo com que discordamos. Devemos honrar o bom exemplo dos pensadores críticos livres do “Charlie Hebdo” vivendo sempre de pé, respeitando toda a gente, olhando as pessoas nos olhos, dando a opinião sobre os assuntos e lutando para o bem comum do povo e da nossa terra. Sou livre, escrevo o que penso, digo o que sinto, participo activamente naquilo em que acredito e espero estar a contribuir para um país e uma sociedade melhor – “Je suis Charlie”.
Duarte Nuno Dória