Cíntia Fernandes Ninguém consegue ficar indiferente ao ataque terrorista à redacção do jornal satírico “Charlie Hebdo”. Entre as inúmeras reacções a este lamentável e hediondo crime, Gustavo Santos foi “o primeiro idiota entre nós a dizer que a culpa foi dos assassinados da Charlie Hebdo.” Segundo a sua convicção “o desrespeito gratuito e egóico pelas mais altas crenças dos outros” dá direito a ser baleado por terroristas com metralhadoras Kalashnikov AK47. É de fazer chorar as pedras da calçada…
É consabido que a liberdade de expressão tem o reverso da medalha, o que implicou ter sido alvo da “enorme cascata de opiniões” que deram origem a outro tiro no pé, através de uma “carta aberta à opinião pública”. É caso para dizer que a emenda foi pior que o soneto… De acordo com Luís Pedro Nunes, director do suplemento satírico Inimigo Público, “ficamos mais seguros sem o Charlie.” A ironia é, de facto, uma arma cruel… Como para um jornal não resistir aos sucessivos processos interpostos é o mesmo que ser assassinado, aproveito para manifestar a minha solidariedade para com o extinto jornal satírico “O Garajau.”