Só o facto de não ter dado uma resposta clara a perguntas feitas sem rodeios, já levanta muitas suspeitas sobre o que o actual primeiro-ministro e ex-deputado andou a fazer, ao serviço de uma organização que angariava clientes para uma empresa e a que teve a lata de chamar ONG (organização não-governamental), como se tivesse sido voluntário na Cruz Vermelha ou nos Médicos sem Fronteiras. Pior foi a confusão que Pedro Passos Coelho procurou criar, misturando ajudas de custo, despesas de representação e outros sinónimos de dinheiro que entra na conta e não passa pela peneira dos impostos. Um país inteiro, pelo menos a parte que não vendeu a capacidade de raciocínio à disciplina partidária, ficou com uma dúvida do tamanho da Sé: se a coisa é simples, limpa e não tem nada de ilegal, porque é que não explicou? Quanto recebeu? Como perguntava a deputada do Bloco, foram centenas ou milhões? O homem até pode sobreviver a isto – já sobreviveu a tanta asneira e escândalo que nada surpreende – mas deve ter perdido o resto de confiança que ainda não tinha conseguido destruir.