Este endereço pode não existir mas os leitores certamente reconhecem um consenso na sociedade madeirense para mudar o Serviço de Saúde. A questão está em saber qual a mudança, como a fazer, por quem e com que sucesso? Permitam-me deixar uma reflexão: Auditar e avaliar com rigor o SESARAM, envolto em incertezas, seja nas dívidas, contractos, obras ou performances, tal como já referido pelo Tribunal de Contas e como já é feito no Ministério da Saúde. Impedir benesses que custam muito aos cofres públicos e despartidarizar o SESARAM, valorizando o rigor e a independência dos seus dirigentes. Definir uma fronteira entre cuidados públicos e privados. Uma fronteira bem definida no mapa, aberta mas fiscalizada com rigor, demarcada de acordo com o interesse público. É necessário rever a Convenção Médica e evitar os ajustes directos. Humanizar os cuidados de saúde, recentrando-o nas prioridades do utente, informando com clareza e apoiando com critério. Existem soluções simples, sem grandes custos mas cuja actual gestão, muito oligárquica, tem ignorado. Dialogar sem dogmas com as ordens profissionais, associações e sindicatos. Potenciar o desempenho dos colaboradores, respeitando-os, pois eles constituem a maior mais-valia do SESARAM. Há que encontrar soluções que minimizem as listas de espera para consultas, cirurgias e exames. Dentro ou fora do SESARAM, dentro das possibilidades. Com critérios objectivos. Revalorizando o serviço de Anestesia e a Medicina Familiar, tão maltratadas pela gestão. Adaptando os melhores exemplos do país, sejam as USF´s, seja a Lei de Direitos de Acesso. Apoiar os cuidados de enfermagem, tão desprezados por preconceitos que não têm lugar na saúde actual. Adaptar as dotações seguras e o enfermeiro de família, implementado nos Açores e que avança no continente em Janeiro. Miguel de Sousa do PSD afirmou ser perigoso “entrar no actual hospital”, um exagero, mas que reflecte o estado de degradação das instalações. É preciso um novo hospital moderno, seguro e produtivo, com custos de manutenção reduzidos mas não queremos o embuste da ampliação para a ribeira, tal como defendem os actuais Secretários do Governo, o Movimento Autonomia XXI ou líderes da Juventude Socialista. Certamente, a mudança na saúde não acontecerá pelas mãos dos delfins do PSD. O dueto Manuel António/Cunha e Silva apoiam as opções do Dr. Miguel Ferreira, a parceria Miguel Albuquerque/Jaime Ramos está “presa” a interesses que os madeirenses não defendem. O PS Madeira não valoriza a saúde e inclusive os seus deputados afirmam na Assembleia ter o “maior respeito pela actual gestão da saúde” e não quiseram apoiar a Acção Popular contra as obras “Ad Doc” de ampliação no hospital, o que não deixa de constituir uma intrigante ambiguidade. Mudar a saúde regional não será fácil nem rápido. Serão precisos recursos, mas, acima de tudo, muita determinação, coragem e prioridade governativa. Nas últimas eleições os madeirenses provaram que estão determinados em mudar. Faltará definir como. O leitor atento sabe com certeza onde está a verdadeira Alternativa, aquela que se apresenta responsável, credível, estável, confiável e solidária, para que possamos conduzir a Região a um novo e próspero ciclo económico e social, que restitua aos madeirenses a dignidade e a confiança hipotecadas pelo PSD. Mário Pereira
Mário Pereira, Deputado do CDS-PP