O ano de 2014, registou a realização de 2 regatas oceânicas nos mares do arquipélago da Madeira, cujo efeito local merece uma reflexão, senão vejamos: No passado mês de Julho, a Marina da Quinta do Lorde, acolheu a 8.ª edição da regata Transquadra, celebrando pela ocasião, 20 anos desde a sua criação, que desde 1993 fez passar na Região, um total de 529 embarcações. Esta regata, organizada pelos dirigentes do Club Nautic de Hoedicais, da bretanha francesa, teve uma largada em simultâneo a partir de Saint Nazairee de Barcelona, com a frota a navegar para a Madeira, como ponto de passagem, rumo aMarin na ilha de Martinica. Da passagem pela Madeira, saldou-se a vinda de cerca de 450 visitantes, entre participantes, familiares e organização que durante 12 dias fizeram uma despesa média por embarcação de 314 euros por dia, implicando 458 bilhetes de avião, 4.200 noites de hotel ou aluguer de estadia, 480 dias de aluguer de carro, não se esgotando este efeito apenas durante o evento, implicando adicionalmente 17.280 dias de estadia a nado e a seco das embarcações, até à largada para a Martinica prevista para Janeiro próximo.

Durante a estadia da regata, o programa delineado pelas entidades locais, incluiu a promoção de alguns dos produtos estratégicos da RAM, casos da Natureza, contando com o apoio do Parque Natural, e do Vinho Madeira, com o apoio do IVBAM e outros parceiros, cultivando de facto o trinómio DESPORTO LAZER/NATUREZA/TURISMO que deve ser o nosso paradigma de futuro para o desenvolvimento da Vela na Madeira, reforçado pelas evidências e constrangimentos das receitas de sempre. No que diz respeito a investimento, conta-se o efectuado por cada um dos participantes para participar nesta regata (cerca de 50.000 euros adicional à embarcação), o investimento da organização da Marina da Quinta do Lorde, o das entidades oficiais e dos patrocinadores. No que diz ao impacto na economia local, para além das evidências quantitativas, e do sucesso do evento, apuram-se proveitos inequívocos na promoção internacional, e no contributo que este tipo de eventos dá para a afirmação do destino em canais preferenciais, como é este da náutica de recreio, sendo esta regata o maior evento de promoção do Arquipélago da Madeira junto do mercado francês (o website oficial da regata contabilizou 6.335.456 hits anuais, e foi motivo de reportagem nas publicações referência Voile etVoiliers e YatchingSud).

Na mesma linha, ainda que com características diversas, acabou se cumprir mais uma Regata Canárias Madeira, tendo esta edição, contado com cerca de 180 tripulantes em 35embarcações, das quais 30 foram de bandeira canária, destacando-se 15 da ilha de Gran Canariae 14 de Lanzarote. Com um percurso de 293 milhas náuticas a ligar o porto de Las Palmas ao Funchal, organizada pelos clubes Naval do Funchal e Real Club Náutico de Gran Canária, esta prova agora na sua 18.ª edição, é organizada entre os dois arquipélagos desde 1978.

Neste contexto específico, contabilizou-se a estadia da frota na Marina do Funchal, durante 4-5 dias, sendo que o efeito do evento no meio local, saldou-se a exemplo do já referido anteriormente, em consumos diários expressivos, face ao turista regular que nos visita, tendo muitas das tripulações optado pelo aluguer de viaturas e partido à descoberta da ilha, ou optado por participar no programa definido pela organização e que incluía contacto com a Natureza e com o Vinho Madeira.

É inequívoco, o facto de, independentemente da dimensão ou expressão do evento náutico, a Madeira contar com todos os requisitos naturais para exercitar o paradigma DESPORTO LAZER/NATUREZA/TURISMO, há que por isso, promover este tipo de eventos náuticos, de efeito multiplicador para a economia local, de uma forma enérgica por parte de quem decide e projecta, adaptando e mantendo os espaços a nado, pois ao contrário do turista clássico, este, vem por mar, quando bem entende, e quantas vezes quiser, haja vento e bons portos fundeadores para isso. Uma nota final para uma regata que não sendo oceânica, é um clássico no nosso contexto regional, nomeadamente a regata Madeira Porto Santo organizada pelos clubes Naval do Funchal e do Porto Santo e Associação Regional de Vela da Madeira e que à sua medida, permitiu em pleno Agosto, reforçar o movimento de lazer que converge para aquela ilha, movimentando dezenas de pessoas, sendo também expressão do efeito, no porto de chegada, que uma frota de embarcações potencia sempre que se avista no horizonte.

Aproveito a oportunidade para prestar tributo, às várias Comissões de Regata e de Protestosenvolvidas nos eventos supra mencionados, que briosamente desempenharam as suas tarefas, por vezes ao relento e pela noite dentro, conferindo credibilidade e profissionalismo às estruturas locais, na colaboração com os seus pares estrangeiros.No final desta época estival, sai reforçada a ideia de que estes fenómenos náuticos, poderiam ser uma constante de passagem pela Região, desde que asseguradas infra estruturas seguras e desenhadas de raíz para a vela de cruzeiro, e se existissem apoios específicos e desburocratizados, para apoiar eventos que englobassem o trinómio DESPORTO LAZER/NATUREZA/TURISMO, maximizando assim, o seu efeito no meio local.

Sérgio Jesus