Há uns dias, li na comunicação social regional que um partido político concluiu, num laboratório, que o modelo desportivo dos Açores é exemplar e que por isso deve ser executado também na Região Autónoma da Madeira. Confesso que fiquei estupefacto. Após a estupefacção, surgiram-me logo algumas perguntas:

Comparativamente com a Madeira, quantos atletas olímpicos os Açores têm ou tiveram? Quantos atletas internacionais portugueses foram formados em equipas açorianas? Quantas formações campeãs nacionais possui a Região Autónoma dos Açores?

A resposta a estas questões permite que, facilmente, percebamos que o “dito laboratório” não tem a fórmula que cura o doente. Pelo contrário, a aplicação das ideias que dele emanam representariam um enorme retrocesso em termos de política desportiva.

A Região Autónoma da Madeira investe, com benefícios facilmente mensuráveis, um por cento (1%) do seu orçamento global no desporto.

Com essas verbas, os clubes formam atletas, transmitem valores, ocupam os jovens, melhorando ao mesmo tempo a condição física dos mesmos. Transmitem ensinamentos e dão a possibilidade, à juventude madeirense, de competir, muitas vezes fora da Região e até do país, contribuindo para um aumento das suas competências sociais e para a sua elevação cultural.

Como é óbvio, as coisas não são perfeitas e o nosso modelo desportivo tem falhas que a crise actual exponenciou.

Permito-me assim trazer para debate algumas ideias retiradas do modelo alemão (campeão do mundo de futebol) que poderão contribuir para uma ainda melhor política de formação.

No ano 2000, as Federações desportivas alemãs assinaram protocolos com as escolas públicas com o intuito de: moldar os horários escolares aos horários dos treinos, obrigar todas as equipas a garantir os estudos dos atletas, premiar monetariamente os clubes pelos atletas que formam, repor, no período não lectivo, as aulas que os alunos perdem na competição e potenciar a criação de centros de treino em todas as equipas.

Neste momento, o Marítimo, Maior e melhor das Ilhas, leva grande vantagem porque, por sua iniciativa, promove estas práticas, pura e simplesmente porque o presidente do clube e da SAD, bem como a restante estrutura, percebem a importância da formação e empenham-se nela, transformando-a em eixo estratégico fundamental para o crescimento da instituição. Fazem-no por gosto - quem faz aquilo de que gosta nunca trabalha na vida - mas também por conhecimento adquirido e consolidado.

Seria interessante que mais clubes seguissem esta estratégia. Mas pronto, reconheçamos que às vezes, é mais fácil protestar do que inovar, empreender e criar um modelo novo.

Luís Filipe Santos