Luís Gomes António José Seguro assumiu a liderança do Partido Socialista em condições muito difíceis, desde logo porque no seguimento da derrota eleitoral que castigou os seis de desgovernação que conduziram o país à bancarrota. Acresce que não seria fácil liderar a oposição à frente de um partido descredibilizado pelo passado recente e consequentemente com perda de autoridade moral para o fazer. Como se fosse pouco, estava “amarrado” a compromissos já assumidos pelo seu antecessor, que de alguma forma o “obrigavam” a ser solidário com a austeridade que o novo governo teria que implementar.

A responsabilidade do Partido Socialista no “desastre” nacional foi tão evidente que não houve “imperativo de consciência” capaz de mobilizar alguns dos seus mais destacados dirigentes, entre os quais António Costa, “que se fez surdo” a muitos apelos para que assumisse a liderança do partido. O “imperativo” foi deixar para outros camaradas o combate político e a exposição à censura pública.

Era tempo de acionar um “Seguro” de curto prazo que lhe garantisse “vida” após a “tempestade” e esperar “Passos” em falso no sempre amargo e penoso caminho da austeridade. O “período de nojo” a que voluntariamente se remeteu terminaria quando lhe interessasse, talvez com o Seguro a perceber que tinha servido de “carne para canhão” e com vantagem para um “combate” em duas frentes: pela liderança do partido, contra um líder ainda fragilizado pela herança de Sócrates e contra um governo desgastado por anos a “apanhar cacos” que resultaram da governação socialista de que fez parte!

Era uma questão de tempo e voltaria como salvador da Pátria, ele e os mesmos camaradas que pouco antes a “afundaram”!

Como se esperava o descontentamento com a austeridade fez esquecer em pouco tempo os verdadeiros responsáveis pela crise e a ira dos portugueses voltou-se contra quem aumentou impostos, cortou salários e pensões.

E porque a memória é curta, deram ao Partido Socialista do camarada Seguro uma muito significativa vitória nas eleições autárquicas, seguida de uma curtíssima, mas, ainda assim vitória, nas eleições europeias.

A “carne para canhão” ficou mais “dura de roer” que o esperado.

Passados três anos o desgaste do Governo e dos partidos que o sustentam é evidente, as medidas de austeridade mais gravosas e impopulares já terão sido implementadas e o país começa finalmente a dar sinais de poder sair da crise. Para o PS avizinha-se a oportunidade de regressar ao poder. Após tanta austeridade e com as contas bem mais equilibradas o próximo governo até pode conceder algumas benesses aos portugueses. E já só falta um ano para as eleições… Eis a oportunidade esperada pelo camarada António Costa, subitamente atingido por um inadiável “imperativo de consciência” que o impele a “salvar” o país que há muito pouco tempo também ajudou a “afundar”.

O PS tem um líder legítimo, reeleito com o seu apoio há pouco mais de um ano e com quem assinou um acordo político, mas isso não importa. Esse líder perdeu toda a legitimidade porque só ganhou as últimas eleições “por pouco”. E o acordo celebrado quando ainda não era oportuno candidatar-se à liderança do PS, rasga-se porque já não (lhe) serve!

O seu “imperativo de consciência” não encaixa no calendário do partido, por isso é necessário provocar roturas, dividir, desestabilizar.

Tem o apoio de alguns “boys” que desesperam pelos lugares de que foram arredados há três anos, da “brigada do reumático”, e até a esquerda radical que já levou para a governação do município de Lisboa está satisfeita, antevendo uma aliança à esquerda para governar o país.

Para além de “memória curta”, os portugueses têm sido muito pouco exigentes na avaliação do perfil e do carácter de algumas personalidades que escolhem para funções de responsabilidade. As consequências têm sido desastrosas e quatro anos após uma das mais graves crises do país, corremos o risco de voltar a ser governados por alguém com inequívocas responsabilidades nessa desgraça.

PS-Quem avisa...