E distrai-se o país com os números do desemprego, ora desce em relação ao ano anterior, ora sobe relativamente ao mês passado, enquanto o primeiro-ministro ora diz que esclarece, ora remete para PGR. Uma coisa já se percebeu, é que ou recebeu estando em exclusividade no parlamento ou, não sendo “exclusivo”, recebeu um subsídio de reintegração ilegalmente no valor “irrisório” de 60 mil euros. Ele pode não se lembrar, tanto jeito dá a amnésia, mas há algo que não bate certo num político que tem exigido tanto ao país dos trabalhadores, mas que não é minimamente rigoroso com a banca e com quem o acompanha no governo. Bastaria ver o que aconteceu na Justiça, para termos uma ideia do caos que é governar uma coligação que está prestes a desmoronar-se. Pior do que não ver, é como o Banco de Portugal, instituição que tem servido apenas para passeio da fama de quem lá anda, em vez de exercerem a função de supervisão que não tiveram a propósito do BPN e BES.

Há coisas que são mesmo difíceis de entender e que só alguns anos mais tarde compreenderemos. Quando se descobrem ligações e tráfico de influências, interesses não declarados. Se alguém tivesse reparado que Ricardo Salgado não tinha nada em seu nome, teria visto que não havia boa-fé e algo se passaria no reino do Espírito Santo. A mistura do grupo ES com todos os governos do país, só poderia pressupor algo mais do que simples coincidência. Tal como a aposta contínua em enterrar milhões numa marina que todos já viram que precisa de outra solução. Será que o Ministério Público não conseguiu enxergar que algo não bate certo no Lugar de Baixo, onde se encaixaram caixotes de euros do erário público? Já estou a ver também as praias do Funchal novo, com as descargas de esgotos e óleo das embarcações. Serão paradisíacas. O lido fica assim, a praia da Madalena com mais um investimento sem utilização. As águas da zona sul sempre com descargas de esgoto que ninguém sabe de onde vem ou, pasme-se, são as próprias estações de tratamento que o fazem. O que ainda vai safando isto tudo é que os Barreiros estão a avançar. E é só “engenheiros” no terceiro anel. Menos aquele que agora é selecionador de bancada, pois tem oito jogos de castigo a cumprir. Parece que ninguém conhece o Jesualdo ou o Manuel José. Com Ronaldo, quem é que precisa de treinador?

E Jardim passeia-se por recantos já vistos, fazendo um intervalo na terra queimada que será o caminho do sucessor. Se eu fosse laranja, votava já em Miguel de Sousa. O homem vai trazer de volta o Armas, vai limpar a dívida em meses, arrasa todos os outros candidatos. E tem uma coisa que é mais importante do que tudo isso: igualzinho ao outro, acumula reformas e ordenado. Uma característica comum a apenas meia dúzia de madeirenses, um privilégio de nobres. Vai ser bonito, um Sousa a estragar parte do negócio de outro Sousa. Já não há respeito nem pelo nome. Há muita coisa a mudar nas previsões de eleição para que isso aconteça.

Não basta Passos Coelho ajudar Jardim a sair e apagar qualquer dúvida de continuidade. Sem esquecer que Jardim também quer ajudar Passos a desaparecer do mapa, as guerras entre os candidatos têm sido lançadas por alguém com interesse armar confusão. O que se esquecem estes cinco (só falta o cão), é que a sua eleição não pressupõe, por si só, que venha a ser presidente do governo regional.

Paulo Gomes