Em Portugal muito se fala dos jogos, muito se discute o comportamento dos árbitros, jogadas e estratégias. Presidentes atacam-se, jogadores agridem-se, treinadores ameaçam-se e jornalistas e comentadores desportivos alimentam estas guerras. É o melhor do futebol português, num país em que se vive esta modalidade bem à flor da pele. Nada disto é novidade, principalmente quando estamos à beira de um clássico ou derby ou quando o adversário nos obriga a deslocações como é o caso das equipas madeirenses a disputar os escalões máximos do desporto português. A chuva, o relvado, o árbitro, o jogador x ou y, o cansaço da viagem, o atraso do avião, a viagem até ao estádio, o treinador, as instalações, enfim, tudo serve de pretexto para explicar os resultados obtidos. Deveriam existir severos castigos a quem instiga tais comportamentos, agravados mediante as obrigações e responsabilidades do transgressor. Deveriam ser caladas as peças que testemunham e proliferam estes comportamentos. Dar-lhes tempo de antena é dar-lhes poder de manipular o que há de melhor no espectáculo desportivo, ou seja, a sua imprevisibilidade e espontaneidade. Uma competição desportiva é uma prática irrepetível, cujas particularidades têm a capacidade de mover milhões de pessoas em todo o mundo. Como tal, não há nada mais cativante do que a transparência, do que a verdade desportiva, sem pressões, sem guerras de bastidores, sem desculpas para os maus resultados. Em tudo na vida temos que assumir as nossas derrotas e aproveitá-las para construir o sucesso. Mas enquanto olharmos os outros ao invés de olharmos para nós o caminho será difícil. É e sempre será mais fácil apontar o dedo aos outros. Enquanto adeptos e simpatizantes podemos fazê-lo. Essa é a essência da rivalidade e da clubite. É-nos permitido brincar, discutir e argumentar. Podemos fazê-lo. Podemos ouvir vezes sem conta ‘ver Braga por um canudo’ querendo, e podendo, responder ‘adoro os famosos pastéis de Belém’. Muitos… falam muito mas cedo demais!

Andreia Micaela Nascimento Directora de Comunicação da AAUMa