O Centro das Artes Casa das Mudas foi inaugurado no dia nove de outubro de 2004 com a presença de várias personalidades ligadas à área da cultura regional, nacional e internacional. Em breve comemora-se os seus dez anos e será, sem dúvida, o momento ideal para uma reflexão sobre a sua dinamização cultural através da programação promovida nesta década. Tentando pesquisar informações online sobre o referido centro, não encontrei um site próprio desta instituição cultural como nos bons exemplos de espaços idênticos. Tão pouco encontrei referências relacionadas com a sua história especialmente a que levou à criação deste ambicioso projeto e a intensiva programação implementada até então por esta casa como se tudo o que foi construído e realizado antes da sua inauguração desde projeto fosse terra queimada ou assim desejada. Apesar dos péssimos investimentos das Sociedades de Desenvolvimento da Madeira, não há dúvidas que o Centro das Artes Casa das Mudas foi o melhor projeto realizado por parte da Sociedade de Desenvolvimento da Ponta Oeste. O arquiteto Paulo David aproveitou e muito bem a oportunidade que lhe foi cedida pois na altura nem concurso público existiu. Por outro lado, nem a ideia do projeto assim como a sua localização foram da sua autoria. Mas contou com muito apoio nomeadamente do professor e escultor Alberto Carneiro da Universidade de Arquitetura do Porto entre muitas outras personalidades ligadas às artes e à arquitetura. Como referiu recentemente Rui Campos Matos atual presidente da delegação regional da Ordem dos Arquitetos da Madeira numa entrevista ao Diário de Notícias: “todas as obras, públicas ou privadas, carecem de manutenção. Pela sua qualidade e protagonismo, algumas delas pedem uma atenção mais cuidada. Estou a lembrar-me, por exemplo, da Casa das Mudas, do Arquiteto Paulo David. Não se pode construir um centro de artes ou um museu, deixá-lo degradar-se, e depois continuar a querer que ele funcione como tal.” Apesar do projeto ser da autoria do arquiteto Paulo David e até ter várias distinções e prémios este espaço cultural encontra-se ao abandono e em estado de degradação. Mais uma vez o tempo vem dar razão que são as pessoas que fazem o mérito dos lugares e não o contrário. Estes dez anos provaram que apesar do Centro das Artes Casa das Mudas ter o reconhecimento internacional como um bom exemplo a nível arquitectónico, não é suficiente para a sua sustentabilidade sem uma boa dinamização e respetiva humanização. Nesta terra infelizmente continuamos a valorizar alguns em prejuízo de outros. Para uns colocam holofotes para iluminar o caminho, para outros, se for preciso, puxam o tapete come se pudesse existir só um bom arquiteto, um bom designer, um bom escultor, etc... e o resultado está à vista. Como já opinei anteriormente em relação a este espaço e volto a insistir que o mesmo não surgiu por acaso, foi fruto de muito trabalho e dedicação. Citando novamente o que o Dr. Cunha e Silva escreveu e que está compilado no seu livro Dando nome às coisas: “O concelho da Calheta, através da sua Câmara Municipal e, particularmente, da Casa das Mudas, neste caso muito à conta da militância do seu responsável vem provocando, com atividades regulares, uma verdadeira pedrada no charco em termos culturais...”. No entanto quer no dia da inauguração do novo espaço, quer posteriormente, esqueceu-se de valorizar quem deviam. Para que esta data também não seja esquecida e para que no futuro tenhamos uma instituição cultural dinâmica, comecem por selecionar um diretor através de um concurso público e transparente dirigido a potenciais concorrentes que sustentem formação nas artes, com competência demonstrada, capacidade e com alma. Este projeto foi criado essencialmente para as artes plásticas e não para outras áreas, dinamizando com regularidade e qualidade todos os espaços incluindo os serviços educativos criando uma maior envolvência das pessoas do concelho, reconhecendo, valorizando e divulgando a sua história: Como, quando e porquê foi construído o solar, quem mandou construir, porque se chama Casa da Mudas?. Até há muitas versões curiosas que poderiam ser utilizadas em termos de Marketing: uns dizem que nesta antiga casa: viviam mulheres que eram mudas; outros dizem que faziam passar-se por mudas por causa das provocações dos homens; outros porque era o local onde faziam a muda dos cavalos. Para finalizar questiono, com tanta falta de emprego, como se justifica tanto desleixo nesta casa e nos seus respetivos jardins. Uma casa sem flores é como uma casa sem amigos e assim se encontra o Centro das Artes Casa das Mudas. A Casa da Mudas não fala, ela grita por ajuda!
Patrícia Sumares Professora