O Marítimo entrava para a quinta jornada da presente Liga ocupando o 5º lugar, com nove pontos, fruto de três vitórias consecutivas. O jogo era em Belém, contra uma equipa que se apresentava moralizada fruto do bom início de temporada e do empate alcançado em Alvalade na última jornada. Pelo que se adivinhava um jogo complicado. O mesmo também indicava o historial de confrontos entre os dois emblemas, muito pautado pelo equilíbrio. Em 56 jogos disputados para a Liga/Campeonato, 22 vitórias para o Marítimo contra as 21 do Belenenses, e 13 empates. No Restelo, vantagem para a turma de Belém, com 15 vitórias, 6 empates e 7 derrotas, verificando-se a última vitória em 2008, com golos de Djalma e Babá.
Quis uma curiosa coincidência do destino que este jogo se realizasse nos mesmos moldes que há precisamente um ano. Tal como na época passada o jogo realizou-se no dia 21 de Setembro de 2013, então um sábado, e também a contar para a quinta jornada – num jogo que estarão recordados, marcou o adeus de Van der Gaag aos bancos técnicos por razões de saúde. E tal como nesse jogo, também agora os insulares saíram derrotados por um golo.
É certo que o próprio Leonel Pontes tinha avisado a sua equipa (e os adeptos) que não poderia haver euforias, fruto dos últimos resultados. Que ainda estávamos à quarta jornada e que seria necessário enfrentar o resto do campeonato com humildade e muito trabalho. Concordo, mas não era preciso tanta humildade.
O Marítimo entrou em campo com apenas uma alteração face ao jogo contra o Penafiel. Saiu Vidales (que nem foi convocado) e entrou Fernando Ferreira. Sem colocar em causa o valor dos jogadores, esta alteração foi relevante para aquilo que o Marítimo foi capaz (ou incapaz) de produzir, sobretudo na primeira parte. A ideia passaria naturalmente por dar mais segurança ao miolo do terreno, explorando a velocidade de Edgar Costa e Weeks nas transições ofensivas. Porém, cedo se notou a incapacidade da turma insular em chegar à área contrária. Também é verdade que o Belenenses, apesar da maior posse de bola, pouco assustou Salin. E só quando o Marítimo abdicou do estilo conservador, muito particularmente após as entradas de Ibrahim e Maazou (saindo precisamente Fernando Ferreira), é que conseguiu chegar com mais perigo ao último reduto do Belenenses, inclusive com várias oportunidades para abrir o marcador. Não o conseguiu, e já numa altura mais feia do jogo com muitas faltas e paragens, e algo contra a corrente do jogo, o Belenenses chega ao golo, ainda por cima por um jogador que partilha o nome com o vosso cronista (ironias!!). Perante tudo isto, mesmo considerando que fomos algo infelizes, é certo, não posso deixar de dizer que estávamos a pedi-las…
Creio que após estes jogos, Leonel Pontes já fez o ‘raio-x’ daquilo que tem ao seu dispor. Com a introdução dos novos reforços, creio que a equipa já pede a sua utilização mais prolongada, particularmente do egípcio, até para dar maior velocidade e criatividade. O próximo jogo será o teste perfeito para ver até onde este Marítimo conseguirá chegar.
104 anos fez o ‘velhinho’. São 104 anos de conquistas, de lutas ganhas e de muito orgulho. O Club Sport Marítimo é um exemplo de estoicismo e vive nestes dias um momento marcante da sua história. Com as obras no estádio a avançar a grande velocidade, em breve estará dotado de umas instalações condignas com o seu estatuto. Os meus parabéns!
Luís Miguel Rosa