Antes do jogo Nacional - Sp. Braga, os treinadores das duas equipas pediram aos seus jogadores a mesma coisa, definida numa única palavra: ATITUDE! E, efetivamente, viu-se atitude nas duas equipas, mas em tempos diferentes, e não de forma continuada. O Nacional foi quem começou com a atitude pedida, mas depois de estar a ganhar, esqueceu-se que a atitude devia estar lá até ao minuto 90. O Sp. Braga, por sua vez, apenas aplicou a tal atitude depois de se encontrar em desvantagem. Moral da história: quem tem atitude, tem resultados. Em relação ao jogo do Estoril, Manuel Machado apenas alterou o guarda-redes. Rui Silva, com apenas 20 anos, demonstrou que a aposta está ganha. De resto, salvou o Nacional da derrota após uma saída arrojada a Pedro Tiba, já na parte final do jogo. No golo sofrido, a responsabilidade não é sua. Cabe aos centrais anular o lance, mas mais uma vez foi por ali que o Nacional claudicou. Pela terceira vez, Manuel Machado apostou nesta dupla Miguel Rodrigues/Ezzat e parece disposto a não alterar o internacional português. Nos cinco jogos, Miguel Rodrigues foi totalista no eixo da defesa, mudando apenas a outra parte (Rui Correia ou Ezzat). Ninguém duvida da mais-valia de Miguel Rodrigues, mas nos últimos jogos parece-nos intranquilo e algo desconcentrado, pelo que poderia ser interessante ver em ação uma dupla inédita (Rui Correia e Ezzat) e daí tirar as ilações. No jogo frente ao Braga viu-se, igualmente, que Boubacar tem de fazer parte do onze. Enquanto o guineense esteve em campo, foi pedra determinante para travar o jogo ofensivo dos bracarenses e, sobretudo, por trazer mais tranquilidade à dupla de centrais.

A prova está no facto de ter sido substituído e, após isso, o Braga ter ganho ascendente até chegar ao golo, por força da ação de Rafa Silva, que só se soltou após a saída de Boubacar. Mas, engane-se quem pensa que a substituição do guineense foi um erro, porque não foi. Já amarelado e a jogar nos limites, não restou alternativa a Manuel Machado a sua substituição. Neste momento, aguardo com grande expectativa uma possível solução Boubacar/Ali Ghazal, pois poderá ser uma dupla de ferro, com o egípcio mais defensivo e o guineense com mais qualidades para ações ofensivas. Mas, regressando ao jogo e a estas cinco jornadas já disputadas, salta à vista o facto de o Nacional ser dos clubes que mais golos sofrem na última meia hora de jogo. Dos sete sofridos, quatro foram nos últimos 30 minutos. Pior que os madeirenses, só Penafiel, Moreirense e Gil Vicente, estes dois últimos foram cilindrados no fim-de-semana por Benfica e Sporting, o que contribuiu para ultrapassarem o Nacional nesta estatística. Este dado, deve ser motivo de análise pela equipa técnica e atletas. Mas, apesar de tudo, acredito nas palavras de Manuel Machado. O técnico disse não estar muito satisfeito pela exibição, mas revelou não estar preocupado. Melhor do que eu, o treinador sabe o que diz e porque o diz. E não esqueçamos que o Nacional defrontou uma equipa muito superior em termos financeiros. Uma equipa que se dá ao luxo de ter um banco de suplentes daqueles (Sasso, Custódio, Ruben Micael, Pardo e Zé Luís) tem, obrigatoriamente, de fazer bem melhor, mas não o fez por culpa do Nacional. Percebe-se, assim, o nervosismo manifestado pelo treinador do Sp. Braga, no final do encontro, arranjando desculpas de bolso para justificar o empate. E mais, a haver um vencedor, só poderia ser o Nacional. Agora, vem aí um ciclo que pode ser de afirmação da equipa madeirense. Se Manuel Machado não está preocupado, eu também não estou!

Miguel Guarda