Depois de uma pausa para férias, o Governo volta em força com a sua política ideológica de empobrecimento do País e dos portugueses. Cortes nos salários e pensões e aumento de taxas é a única receita que a maioria de direita sabe prescrever. Estatuir a pobreza é a palavra de ordem da maioria, como se pode verificar com mais um Orçamento Retificativo aprovado este mês no Parlamento, e, pasme-se, obteve a proteção dos Srs. Deputados do PSD e do CDS-PP Madeira.

Da minha parte, em coerência com o que tenho defendido, votei contra esta orientação política que tenta fazer o ajustamento orçamental à custa do aumento de impostos e dos cortes nos salários e nas pensões, em vez de ser à custa do crescimento da economia e da procura externa.

Do ponto de vista orçamental, a dívida caminha para 131% do PIB, quando, em 2010, era 94%. O défice, ao contrário da campanha enganosa da maioria, aponta para previsões de 10%, com as operações extraordinárias do BES e da CP.

Do ponto de vista macroeconómico, verifica-se que o enorme aumento de impostos e os cortes nas funções essenciais do Estado e nos vencimentos têm servido para pagar o aumento da despesa contraída por este executivo e não, como eles prometeram em nome da austeridade, que serviria para a transformação estrutural da economia voltada para as exportações. Quanto aos números do desemprego, as recentes baixas devem-se a truques no mercado de trabalho e a habilidades estatísticas, onde à cabeça está o dramático fenómeno da emigração e as artimanhas dos estágios pagos com dinheiros públicos.

Jacinto Serrão