Gaudêncio Figueira O JM já nos habituou aos seus critérios de informação isenta. Assim, na sua 1ª pág. do dia 17 Setº p.p., tínhamos uma idílica foto da baía do Funchal, onde, por um feliz acaso, também lá coube, como que a enaltecer “a vitória do Povo sobre a tragédia”, CR7, o Madeirense que o Mundo venera. Os acasos felizes continuaram.
Nesse mesmo dia, iniciava-se o Congresso dos 500 Anos da Diocese e, a cereja no topo do bolo, S. Exª. o Sr. Vice-Pres., nas págs. 8 e 9 daquela edição, falava-nos da beleza patenteada na foto que mostrava as obras. Espero que nenhum “inimigo da Madeira” ouse pensar, muitos menos escrever, que houve mais que felizes coincidências. Tudo isto, desenganem-se, não é propaganda pura e dura.
Diz-se que não há bela sem senão. A edição desse dia, do JM, comprova-o. Tudo está em beleza naquela reportagem até ao momento em que, num número de prestidigitação, surgem, na boca do Sr. Vice-Pres, dois conceitos que se confundem: estética e funcionalidade. Temos mais um caso de informação inquinada daquele jornal, como há pouco aconteceu com a “causa social” tratada nos bonecos. Citando S. Exª:“se isto é criticável, admito que sim, porque as pessoas podem ter outro tipo de gosto estético. Nós não somos engenheiros, nem projectistas, mas temos gente que trabalha nisto e nos oferece aquilo que nós pedimos que é uma obra que garanta a máxima segurança”. Nestas quarenta e cinco palavras estão concentradas todas as dúvidas. Qualquer não cego de visão, coisa diferente de cego dos neurónios, tem de achar bonitas aquelas imagens. Salvo melhor informação nunca vi nem li reparos à qualidade estética da obra. Vi e li críticas à decisão de construir.
Venham elas dos fundamentados Profs.,Drs. ou Engºs, ou dos “Engºs de pé descalço”. Os dois grupos integram cidadãos que, citando o Povo, cabem na definição: gato escaldado de água fria tem medo. Eles já andam há muito a pagar caro por lindas fotos e fracas funcionalidades. Lembram-se do verde Campo de Golfe do Porto Santo, do belo hotel na foz da Ribª da Madalena, da… dessa não vou falar pois os (e)leitores já lá ancoraram muito dinheiro? Era grande a satisfação dos “engºs de pé descalço” vendo a água das últimas chuvadas, garantindo “a vitória do Povo sobre a desgraça”, encaminhar-se para o mar. O grupo dos tecnicamente fundamentados ainda duvida que todas as funcionalidades anunciadas se concretizem. Assim sendo, era bom, para memória futura, sabermos como se ultrapassará um caso semelhante ao do Lugar de Baixo. Haverá responsabilidade política? Coisas destas, noutros sítios, dão demissão. Os Srs. Engºs, projectistas e de estaleiro, terão responsabilidades? Não sabemos, interligam-se as responsabilidades, técnicas e políticas numa total opacidade, fomentada e fermentada pelo poder.
“A Obra Feita” tudo encobre à opinião pública.
Não me revejo na informação do JM. Desde jovem que não aprecio este estilo jornalístico manipulador de quem lê. Já lá fui zurzido. Hoje, saindo-se do JM, ultrapassa-se tudo, e num velório, incomodam-se terceiras pessoas por causa de um texto que ostenta nome e/ou foto do seu autor.
Cumpre-se um dever cívico denunciando estas atitudes.