
Reduzir deputados até transformar o parlamento numa mesa de café, sem se preocupar com o fim do pluralismo político e da democracia. O que interessa é dizer que vamos cortar cadeiras porque nas conversa de tasca – leia-se todo o tipo de tertúlias em que os oradores gostam de ouvir o som da sua voz, como nos táxis, e são aplaudidos por outros iguais – é isso que se grita. E é ver quem corta mais fundo: 31, 25, 21, 13. Vai sempre a descer até 3 ou 4. E na tasca gritam: têm é de acabar com isso! Assembleia para quê? E o candidato finge que concorda (ou concorda mesmo) e promete um governo com três elementos, um deles a meio tempo. Todos a andar de lambreta, dispensar os carros e receber o ordenado mínimo. Na tasca, o orador de serviço que meteu uma baixa fraudulenta para ir tomar um copo grita: deviam era pagar! Todos aplaudem e dizem que é assim que se vai lá. Acabem com os partidos, venha um novo Salazar. E a PIDE, já agora.
É nesta espiral de tontice – um termo suave para não dizer o que realmente apetece – que estão todos os candidatos às lideranças que neste momento estão em jogo nos partidos. Cá e lá. Vende-se o que o freguês quer ouvir, mesmo que seja impraticável e até ridículo.
Que a Assembleia da República pode funcionar com 180 deputados, é verdade, mas nunca com eleição por círculos distritais, como agora acontece. A distorção da proporcionalidade seria grande e a bipolarização certa. Pior era aquela loucura dos círculos uninominais que parece já estar esquecida.
Por cá, transformar um parlamento em menos do que uma assembleia municipal só mesmo para voltar tudo ao mesmo, às maiorias absolutas falsas.
Mais errado, ainda, é o que praticamente todos querem: mais deputados da emigração. Como acontece ao nível nacional, é uma total desconsideração pelo voto dos portugueses, garantir a eleição de deputados a quem não quer votar e não vota. Eleger deputados que representam 2% dos potenciais votantes é brincar com o meu voto. Eu, que nunca faltei a uma eleição.