Juvenal Pereira - Em tempos idos, recordam-se os meus amigos, alguns sacerdotes, nas missas, reservavam os bancos da frente para as distintas famílias do antigamente. Em parte se compreendia, pois eram aquelas famílias, financeiramente mais abonadas, que maiores donativos à igreja davam.
Graças, contudo, à abençoada revolução que no país se operou, o dinheiro de mãos mudou, e, hoje, muitos dos ricos, dão pelos nomes de… políticos! Nomeadamente, - perdoem-me a expressão – os que giram à volta do “gamelão”.
Algures, numa determinada região, deste País de eleição, como prova de gratidão aos donativos recebidos, o sacerdote ensaiou um modo de receber na missa os ilustres políticos.
Foi na igreja de Santo Imaginário que o sacristão e o Sr. Vigário os passaram a receber da maneira que a seguir vamos descrever: - Bom dia, fiéis amigos. Pertencem a que partido?
- Somos do PSD.
-Muito bem. Ocupem as cadeiras das filas do A ao G.
- E os senhores, digam-nos, por favor.
- Do CDS.
-Sentem-se aqui ao centro nas filas do A ao F.
E os irmãos vêm também à missa?
- Sim, Sr. Padre. Somos do partido socialista.
-Muito bem. Os vossos lugares estão reservados também.
Podem sentar-se aqui, nesta fila da esquerda, nesta no centro ou aqui na da direita também ficam bem; escolham o lugar que melhor vos convém!
Quanto aos representantes dos partidos pequeninos gostávamos que se sentassem Junto ao corrimão, em frente á imagem de Nossa Senhora da Consolação. - A missa começou e o momento da homilia chegou.
Vamos então saber o que o sacerdote achou por bem dizer:
“ Neste momento difícil para as famílias que têm os filhos desempregados, os pais com salários cortados e avós sem lhes poder acudir nestas ocasiões, face ao hediondo corte nas suas pensões, a minha igreja agradece o apoio (indispensável) vindo dos políticos ou dos partidos…porque não pode contar com a ajuda das famílias, provavelmente, como muitas delas desejariam!
Mas digo-vos de todo o coração, preferia que essas ajudas viessem do seio da população!
Que ao povo – do campo ou da cidade – lhes fosse dado condições para levarem a sua vida independente, com dignidade.
Os partidos não foram concebidos para casas de caridade; nem em prol das instituições, nem de qualquer elemento em particular da sociedade.
Apoiarem nas Assembleias LEIS contra as empresas e os trabalhadores, para mais tarde aparecerem como salvadores, são práticas abomináveis, a todos os títulos condenáveis.
Se Jesus ainda estivesse cá - pelos nossos lados- da porta da igreja seriam excomungados”!
- Sr. Presidente, será que o Sr. Padre está falando cá para a gente?
- Está falando no geral, mas, vamos já embora…pela porta fora!
Vai já dizer ao Sr. Bispo que este padre tem de ser transferido para uma paróquia PEQUENISSIMA, onde, ao domingo, não seja costume irem mais de seis pessoas à missa!