“Tem farol, praia de areia, igreja nova e o museu da baleia” – visíveis referências da briosa Vila do Caniçal – à beira mar plantada e situada no extremo leste da ilha.
Ao longo de décadas, até o ano de 1956, esteve isolada pelas montanhas que a separam de Machico, altura em que foi aberto o túnel ao qual atribuíram o nome de Engenheiro José Nosolini, na época a desempenhar funções de governador civil do Funchal. A comunicação fazia-se por veredas de difícil acesso – e o mar era a única entrada e saída – para o contacto com outras comunidades e ligação com o mundo.
Os habitantes não conseguem imaginar as suas vidas sem o mar. É lá que encontram o seu local de trabalho, forma de vida, ganha-pão. Neste período do ano, partem para a faina da pesca, na procura do atum e do gaiado tão saboroso e apreciado. A moderna frota pesqueira é já significativa, as suas companhas são constituídas por naturais e bravos pescadores, que fazem do mar a sua casa. Rostos de gente, numa localidade, onde o sol parece queimar mais, que vive ao ritmo das estações, dos meses, dos dias, na esperança de uma vida melhor, fundamentalmente para a numerosa juventude que integra a sua população.
A sua grande festa que este fim-de-semana se celebra em honra de Nossa Senhora da Piedade – é um momento alto de mobilização e regozijo de todos os habitantes. O empenho e dedicação que os seus dinamizadores colocam, todos os anos, nas aguardadas romagens dos principais sítios, que esta tarde descerão até ao centro da freguesia, demonstra um elevado envolvimento social de jovens e adultos num verdadeiro espírito bairrista, onde sobressai a sua indumentária, o ritmo das suas danças e cantares, as suas originais letras e músicas e as ofertas para a Igreja.
No porto de pesca a azáfama é total entre os pescadores e os seus familiares. As dezenas de traineiras atracadas, estão devidamente engalanadas e preparadas para receber a população local e os milhares de forasteiros que aqui se deslocam, expressamente para participar na procissão marítima, uns no cumprimento de promessas, outros para desfrutarem de um apreciável passeio no mar e conviver com familiares e amigos.
O mar e as suas tradições são vivências indissociáveis das gentes desta acolhedora terra piscatória.
Belarmino Rodrigues