A democracia consiste em decidir conforme a vontade da maioria dos cidadãos de uma determinada comunidade. Pressupõe que, quem dirige, ouça e respeite as regras. Só assim merecerá confiança e respeito. No mundo em que vivemos, sobrevivem os que apenas dizem sim, ou são obrigados a dizer por interesse pessoal, sendo excluidos aqueles que têm a coragem de dizer não. Sempre foi assim, na política ou no desporto. Temos assistido a desabafos, que presumo genuínos, de atropelos á ética, e ao cumprimento da palavra dada. Lá se vão os tempos em que um aperto de mão tinha força notarial. Hoje? Não sabemos o que é certo e errado.
Amanhã? Apenas incertezas. “Usam-se as pessoas e deitam-se fora” desabafou Fernando Seara recentemente. A comunicação social transcreveu declarações do Presidente do Marítimo: “ O F.C.Porto usa as pessoas como se fossem guardanapos: limpa e deita fora”.
“Rasgar” contratos, (exceto com as PPP´s), entrou na moda, sejam eles com, televisões, fundos, treinadores, trabalhadores, pensionistas, reformados, partidos, eleitores. Lembram-se do tempo da “palavra de honra”? Como seriamos felizes com “ Oh Tempo Volta Pra trás”.
Usando a técnica da dissimulação, intencionalmente, utilizam-se matérias isoladas e descontextualizadas, para desviar o foco e as atenções do alvo principal, invertendo a importância dos factos, mais prioritário que exige maior concentração de esforços.
Como diz o poeta: “há sempre alguem que resiste, há sempre alguem que diz não” ou “ a verdade é mais forte que as algemas”. Infelizmente conhecemos o destino de quem “tem a mania” de utilizar essa liberdade. Chegamos ao ponto de considerar criminoso quem ousa discordar ou desestabilizador quem apresenta ideias diferentes.
Muitas pessoas agarram-se ao poder porque não sabem viver sem ele. Porque o exercem sem humildade democrática, têm um medo terrivel de conviver com as mesmas armas e têm consciência que serão ignorados. A sociedade por vezes é injusta, mas diz o povo “quem semeia ventos colhe tempestades”.
Alguem dizia que o problema deste mundo é que os homens inteligentes e de caráter estão cheios de dúvidas e os imbecis estão cheios de certezas. Olhando onde estão os homens cheios de certezas, facilmente se conclui que somos dirigidos por um bando de imbecis.
Um poema de José Saramago começa assim: “ Não me peçam razões, que não as tenho.” ... “ou que as desculpe”.
Sozinho não sei a solução, mas, todos saberemos.
Francisco Costa