Ontem, iniciaram-se as atividades letivas na generalidade das escolas da RAM. As famílias - algumas com grande esforço- fizeram o seu melhor para que os seus educandos tivessem tudo a postos e depositam grandes expetativas na escola e nos profissionais que os acompanharão.

Após a fase angustiante de colocações (que ainda decorrem) para os docentes com contrato a termo resolutivo (contratados) e o processo de afetação de outros docentes que, sendo de carreira, aguardaram com grande expetativa a sua colocação, as escolas e os docentes também se vão adaptando ao novo ano letivo, com todas as restrições e com as condições que têm disponíveis.

Sendo novo, há no entanto circunstâncias que se mantêm para os professores: a grande pressão exercida para apresentação de resultados, um sistema de avaliação que os coloca em competição, a dispersão funcional, que lhes rouba tempo à componente individual de trabalho e os desvia da sua função principal: a pedagógica, a desregulação do comportamento estudantil, que advém sobretudo da cultura da imagem, do prazer e indulgência com que educamos as nossas crianças, a falta de materiais e condições nas escolas, as reduções salariais, o congelamento das suas carreiras, entre outras.

Este ano letivo começa com menos crianças e alunos no sistema educativo regional decorrente não só da redução da taxa da natalidade mas também das dificuldades económicas das famílias, que as levam a emigrar, ou a retirar, precocemente, os seus educandos do sistema educativo.

O Governo Regional poderia e deveria adotar medidas que minimizassem as dificuldades que as famílias atravessam e que passaria, por exemplo, pela redução do valor das mensalidades dos estabelecimentos de infância públicos que, em alguns casos, chega a ser mais elevado do que nos privados.

De acordo com as notícias recentemente veiculadas pela SRE, este ano haverá menos docentes nas escolas da região. Esta diminuição deve-se às opções políticas do governo, não só de âmbito social, mas também de natureza educativa. Lamentamos que a região tenha, mais uma vez, seguido as estratégias do MEC, em algumas questões que para nós são fundamentais, nomeadamente o empobrecimento do currículo, as restrições à referenciação das crianças e jovens com necessidades educativas especiais, ao aumento do número de alunos por turma e, no âmbito mais social, o valor exorbitante das comparticipações familiares.

Perspetiva-se um ano letivo conturbado a nível laboral, com o previsível desmantelamento da atual estrutura da carreira docente, conquistada após uma luta longa e difícil por parte dos professores, a acontecer já em 2014. Isto porque o governo já aprovou a tabela remuneratória única que irá ser aplicada a toda a função pública. Este fator implica um tremendo retrocesso em termos laborais, com consequências imediatas na progressão e nos vencimentos dos docentes, que tão desvalorizados foram nos últimos 4 anos, fruto das políticas economicistas e de desmantelamento do estado social.

Certa de que os professores e educadores atuarão com todo o profissionalismo, faço votos para que este ano letivo seja profícuo e decorra da melhor forma em benefício das crianças e jovens da Região. Uma saudação especial a todos os colegas que não terão oportunidade de exercer a sua profissão este ano. Que o futuro lhes dê melhores oportunidades.

Sofia Canha