A. Fraga. Aproveito uma entrevista feita há umas semanas, a um arquitecto luso-venezuelano, na RTP-M, sobre as questões do tráfego no Funchal (e sobre a sua opinião de por toda a gente a andar de “carro horário”) e também aproveito o facto de a entidade competente estar a estudar o encerramento definitivo de várias ruas (leia-se VÁRIAS) para lembrar que a nossa cidade é de uma orografia tal que não seria nada cómodo e pouco exequível criar a moda do transporte público existente em muitas cidades do mundo que, por natureza geológica e orográfica, são relativamente PLANAS. Entre outros, só esse factor é de uma importância muito “relevante” e não pode ser ignorado com a máxima “o povo que se aguente”. E o transporte a duas rodas, nomeadamente a bicicleta, do mesmo problema padece: a orografia! É bonito ver tantos pseudo-ciclistas nas nossas ruas a se exercitarem e atrapalhar o tráfego com a sua arrogância, mas não passa disso: exercício. Usar de bicicleta para quotidiano de trabalho, numa região tão montanhosa, de rampas e “abica burros”, não é, simplesmente, exequível! Antes de enveredarem por ideias vanguardistas de mobilidade urbana ou de imitarem outras capitais europeias, façam um parco exercício: experimentem a coisa durante 6 meses e depois tirem conclusões!
Mas enquanto não nos impedem de entrar na cidade com o nosso automóvel (graças a Deus), sugiro às entidades competentes que voltem a abrir ao transito, no sentido descendente, o troço da Rua dos Ferreiros que liga o Largo do Chafariz com a Rua 5 de Outubro, pois assim reduziríamos significativamente a permanência de veículos nas zonas circundantes, evitando que, para quem vem da Rua do Aljube, ande num pára-arranca infernal até ao mercado para seguir em direcção à Avenida Sá Carneiro, reduzindo significativamente a emissão de gases de escape e de poluição sonora. Isso sim seria uma de muitas boas medidas para reduzir o tráfego na Cidade.
Aproveito que tenho a colher na questão do tráfego para sugerir às entidades competentes o seguinte:
- Coloquem, por exemplo, todo o Caminho de São Martinho como via com prioridade, para evitar as inúmeras confusões diárias nos entroncamentos existentes porque, por ausência de sinais, quem se apresenta pela direita de quem circula no referido caminho tem prioridade (na minha opinião injusta) e não deveria ser assim pois trata-se praticamente de uma avenida com mais de 1 KM;
- Gastem de forma ordeira e consciente o dinheiro dos contribuintes, pois há bem pouco tempo a Rua dos Ferreiros esteve em obras para regularizar o pavimento característico e, mesmo tendo ficado melhor do que estava, ficou numa grande porcaria. “Quem não sabe, não inventa”. Arranjem pessoal capaz de arranjar aquilo (e tantos outros troços) como deve de ser e para que fique bem feito, como por exemplo o troço entre a Rua do Aljube e a Ponte do Bettencourt. Acho muito bem que prevaleça o pavimento característico e deviam regularizar muitos outros troços rodoviários de calçada e voltar a calcetar tantos outros que pavimentaram com asfalto.
Por último, gostava de salientar que, em muitos dias do ano, quando por alguma casualidade/acidente, existe zonas do Funchal em que os semáforos ficam “em OFF”, o tráfego circula que nem uma maravilha, com respeitos pela prioridade da direita, respeito pelos peões e pelas mudanças de direcção e sem “corredores de velocidade”. A desculpa de que é para evitar os corredores de velocidade está ultrapassada e é inadequada, pois os corredores de velocidade existem devido à presença de inúmeros semáforos sucessivos onde muitos condutores “aceleram” para poder passar o próximo “verde” antes que fique “vermelho” e aí é que se dão as situações de acidentes iminentes. Desse modo, seria de ponderar a função inútil de muitos semáforos no Funchal, principalmente à noite, pois temos uma cidade tão pacata que, em certas zonas com enorme visibilidade, não tem qualquer lógica estar-se sozinhos e parados num sinal vermelho. Mais uma vez, aumenta os gases de escape e a poluição sonora nocturna!
Há medidas a tomar, no que toca ao tráfego do Funchal, que urgem primeiro do que encerrar VÁRIAS ruas...