Jardim não tem vergonha e isso já todos sabemos. E, porque não tem vergonha, também não tem vergonha de dizer que não tem vergonha. Nem tem vergonha de ser um produto da vergonha e da vergonha que é o seu produto.
Da ditadura do tempo da outra senhora e dos senhores com quem aprendeu não deixa de ser um produto. Da ditadura da igreja madeirense, protagonizada por Francisco Santana, usando o clero nos púlpitos profanados, para impôr os seus propósitos, é o mesmo Jardim um produto de que se gaba, sem vergonha. Se o primeiro passo duma democracia, que a Revolução de Abril legou ao povo português, é fazer outra revolução à moda de Santana/Jardim, com atitudes ditatoriais e persecutórias, então estamos (des)conversados. Para aquilatar da qualidade do produto em causa, não são necessários mais exemplos. E, quando o produto é este, que produto pode ser o seu?
Jardim diz ter tido muita sorte em ter trabalhado com três grandes bispos. Talvez até se perceba. Mas se Santana o trabalhou, quanto terá ele trabalhado Santana?
E Teodoro? E Carrilho? Não foram eles que lhe puseram nas suas mãos o Jornal da Madeira para trabalhar? É, por isso, a continuada vergonha que é o JM um produto de Jardim. Não foram eles que se subjugaram ao poder a troco de avultadas somas de subsídios para a obra que a igreja produzia para si e para o mesmo poder? Não foram esses “grandes” bispos que se calaram às intromissões do poder na acção da igreja, levando a tomadas de posição de padres, em grupos ou isoladamente, para gritar o descarado casamento entre estes dois poderes?
Jardim diz agora que quer uma igreja mais atractiva. Quão atractiva foi quando o colocou a dominar a Madeira toda? Estará a perder poder de influência sobre essa mesma igreja, mercê da oposição de alguns padres que resolveram questionar o bispo e o domínio do poder sobre o chefe da igreja?
É também produto de Jardim o buraco da vergonha, da tristeza, da pobreza, da humilhação, vinda de dentro e de fora de portas, pela Troika/PAEF, pelo mau acordo na negociação da dívida.
São produto de Jardim todas as políticas nas áreas da governação, dos maus gestores, do regabofe das instituições, dos processos que levaram alguns à prisão, que condenaram muitos outros, mas com penas suspensas, e o que ainda está para vir, como é o caso da “Cuba Livre” com três anos de atraso e que incomoda toda uma terra, menos os que se sentirão culpados e que vivem na esperança da prescrição.
Não serão produto de Jardim os candidatos à sucessão que ele tende a enxovalhar, mas já o serão o(s) que ele vier a apoiar para lhe seguir as pisadas.
Enfim, o produto de Jardim tem mais de desgraça do que graça e nem a graça dos bispos o salvará, por muito que vá a missas de dar nas vistas e saia em procissões com reportagens fotográficas no seu jornal. Não é assim que se faz dum demónio um santo. Mas entendo que tem direito a um perdão para morrer em paz, se conseguir, ele próprio, arrepender-se do que de mal tem feito.
É por isso que há quem diga que o produto de Jardim é uma grande fraude.
Eduardo Fonseca