Após a triste participação de Portugal no último Mundial de futebol, a nossa Seleção é mais uma vez notícia pelos piores motivos. Era da consciência geral, que alguma coisa teria de ser feita, de forma a limpar a imagem deixada no Brasil, e fazer com que o nome de Portugal voltasse a ser respeitado no universo futebolístico. Neste caso particular, a primeira medida teria necessariamente de passar pela saída do selecionador. Paulo Bento não tinha condições para continuar. Se fizermos uma pequena retrospetiva, foi o que aconteceu um pouco por todo o mundo, ou seja, a grande maioria dos selecionadores que levaram as suas seleções a terem algum sucesso, continuaram, e aqueles cuja participação ficou aquém dos objetivos, saíram. É a lei do futebol. À boa imagem portuguesa, não foi isso que aconteceu, em vez de analisarmos todo o processo, tentando perceber o que falhou e assumirmos responsabilidades, assobiamos para o lado, e, preocupamo-nos em arranjar culpados. Parece que desta vez foram os médicos. Objetivo número um para o Europeu 2016, manter tudo igual e contratar os médicos da Alemanha. Começamos a caminhada, e a surpresa foi que a Albânia, também tem melhores médicos do que jogadores. O cardiologista número 19, faz um grande golo, Pepe ri-se, e Paulo Bento com grande tranquilidade, apela aos deuses do futebol, que não castiguem a nossa seleção com tanto azar. E andamos nisto… Paulo Bento inevitavelmente saiu, e agora a discussão centra-se no seu sucessor. Das duas uma, ou os principais responsáveis pela nossa Seleção, nomeadamente o presidente da federação toma uma posição de mudança de paradigma, ou a caderneta do Euro 2016, não vai ter cromos portugueses. A escolha terá de ser bastante criteriosa, a seleção precisa de alguém com grande capacidade de liderança, que esteja acima de qualquer interesse ou jogador, que não esteja conotado a ninguém, que convoque os melhores, em detrimento daqueles que precisam de visibilidade, que consiga agregar e voltar a fazer sentir, a importância do que é representar a seleção nacional, e que sempre que falar para os jornalistas, não tenha a necessidade de dizer que é um privilégio contar com o melhor jogador do mundo, já todos sabemos e orgulhamo-nos disso, as melhores marca não precisam de publicidade. Jesualdo Ferreira, Fernando Santos, Vítor Pereira ou José Peseiro, foram alguns dos nomes avançados, treinadores com curriculum, créditos firmados, no entanto, na minha opinião, e pelas razões supramencionadas, a escolha seria, Jorge Costa. Personalidade forte, sempre foi líder, respeitado por colegas e adversários, enorme experiência na Seleção Nacional, conhece muito bem o futebol português, e jogava sempre com grande paixão, fator decisivo e que tem faltado a quem enverga a camisola das quinas. É só uma ideia.
Bruno Abreu Técnico Superior de Desporto