Viva! Desta vez, propus-me deambular no meu imaginário e ao acaso por diversos serviços disponíveis e a expor aquilo que acredito ser o diálogo provável. É o que dá escrever após o(s)mes(es) de férias… Se em época normal já pouco é feito, por estes dias é difícil errar… Nada se faz! Num hospital - Dr, estou com falta de ar. - Considere-se sortudo homem! Aqui estamos piores. Temos falta de camas, falta de medicamentos, falta de estacionamentos e até falta de médicos. Num banco - Estou com falta de liquidez. - Oh homem, não diga isso muito alto. Nós aqui estamos com falta de transparência, falta de crédito. Até com falta de administradores sérios, veja lá. E nem por isso nos queixamos senão ainda nos mudam é o nome! Num estádio - Confesso que estou com falta de confiança para esta época. - Nem me digas nada… Aqui só vejo falta de jeito, falta de amor à camisola e falta de bancadas (ah não… essas já estão quase acabadas!). Numa escola - Não me está a render. Estou com falta de concentração. - Deixa-me apontar mais essa falta na lista a enviar para a Secretaria de Educação… Já aqui tenho apontadas: falta de professores, falta de funcionários e falta de cada vez mais alunos… Nos correios - Está-me a faltar só o selo… - Olhe que sorte a sua. Aqui falta-me dinheiro para pagar os subsídios das viagens, faltam-me funcionários e, que me recorde, a única coisa que me resta são livros para vender. Numa sede de partido - Estou a ver que não chego lá… Faltam-me assinaturas! - Assinaturas? Não me diga que é para mais uma candidatura!? Lá isso arranja-se… O que está mesmo em falta é o bom senso, o tento na língua e as ideias novas. Num tribunal - Julgo que está quase tudo. Só falta agora saber a pena. - Lamento mas para si só tenho a pena máxima… As outras já acabaram bem como a justiça e a igualdade. Sobraram apenas dois pesos e duas medidas! Num balcão de uma transportadora aérea - Desculpe, ficou a faltar-me uma mala. - Nada mau! Por cá faltam-nos, por exemplo, comandantes disponíveis, aviões em condições e refeições a bordo. Ainda vai querer reclamar? Numa piscina pública - Sabia que me faltava alguma coisa. O fato de banho! - Para quê? Não se preocupes que não se molha… Estamos com falta de água! Arregace antes as mangas e sirva-se do sol… Nas finanças - Por favor, falta-me uma caneta para passar o cheque! - Quer azul ou preta? De escrita fina ou mais grossa? Pega macia ou áspera? Com tampa ou de mola? De ponta ou de pena? Temos de tudo… Não queremos que lhe falte nada! PS: Cara L.F.B. (lamento dirigir-me a si nestes modos, mas foi como se apresentou à minha pessoa através deste matutino), quero antes de mais pedir-lhe desculpa pela demora em responder. De seguida aproveito para agradecer o tempo que dispensou ao meu artigo do mês passado e a honrosa carta do leitor que me dirigiu. Foi a primeira e confesso que me deixou honrado ver o meu humilde nome em letras destacadas! No entanto, para tristeza minha, verifiquei que ainda não cumpriu a promessa de se deslocar à referida clínica. Garanto que será muito bem atendida e, caso lhe interesse, ficará a saber mais umas verdades.
Pedro Nunes