Não sou treinador, nem com pretensões a tal. A forma como vejo o futebol é de um adepto comum, que opina tendo por base os conhecimentos que dispõe, e que varia de adepto para adepto. Mas, não é preciso ser nenhum “licenciado” em futebol, para perceber que este Nacional não atravessa um bom momento, e pior que isso, apresenta fragilidades que começam a deixar preocupados os adeptos “alvi-negros”. A derrota frente ao Estoril, apesar de seguir uma tradição (com exceção do empate da última época), deixou a ideia que a esta equipa falta mais determinação, concentração e garra. Perder, mas ver a equipa deixar tudo no campo, é uma coisa. Outra, é ver a derrota acontecer, sem que nada se fizesse para a evitar. Com exceção de dois ou três jogadores que remaram contra a maré, assistiu-se a uma equipa que mais parecia estar a cumprir um treino, do que um jogo oficial. E o grande problema está no meio. É ali que falta o tal motor que coloque a equipa a jogar para a frente e que, ao mesmo tempo, tranquilize o sector mais recuado. Em concreto, é gritante a falta de processo de transição defesa/ataque. Falta o tal criativo que ponha a equipa a jogar, e nem a enorme disponibilidade de João Aurélio esconde essa fragilidade desta equipa. Gomaa, o “craque” egípcio já demonstrou ter bom futebol e excelente técnica, mas esperava-se que, depois de uma entrada a meio na época passada, fosse agora explodir para afirmação. Contudo, a adaptação está a demorar e ainda não trouxe o que, certamente, tem para dar. Talvez por isso, Manuel Machado colocou-o no banco, e logo que o fez entrar a equipa “mexeu”, mas foi sol de pouca dura. Certamente, estarão os adeptos do Nacional, a esta altura, com saudades de Claudemir e Diego Barcelos. E eu digo, que falta fazem…

No sector mais defensivo, é mais do que óbvio que Mexer deixa saudades. Não só pela sua qualidade, mas também pela tranquilidade que transmitia ao jovem Miguel Rodrigues. Agora, a dupla de centrais, seja com Ezzat ou Rui Correia, é ainda verde e tem tido dificuldades em se impor, não colocando em causa o valor dos três atletas. Contando com o jogo de Dínamo de Minsk, na Madeira, o Nacional sofreu 5 golos de bola parada, e todos eles de cabeça. Aqui, também se pode apontar o dedo a um guarda-redes que tem dificuldade em se sair dos postes. Paralelamente a isso, Zainadine está uns furos abaixo do que já demonstrou e isso reflete-se na equipa. Posto isto, se uma equipa não se concentra no sector mais recuado e não cria no meio-campo, é no sector ofensivo que se reflete. A bola tem de chegar à frente, junto dos avançados, com qualidade. Pois, se assim não for, nem Cristiano Ronaldo consegue melhor. Aguardava-se que a paragem da Liga e o afastamento da Liga Europa trouxesse mais concentração à equipa, mas ainda há muito trabalho pela frente e o Prof. Manuel Machado, sabe-o. O próximo jogo é em casa e diante dos adeptos, a equipa tem de dar outros sinais. É preciso garra, determinação e vontade de querer ganhar o jogo. Parafraseando Bob Marley, “Você não é derrotado quando perde. Você é derrotado quando desiste”

Miguel Guarda