Concluída a 3.ª jornada o campeonato parou para dar lugar ao primeiro jogo da fase de apuramento para o Europeu na Alemanha em 2016. Portugal defrontava a Albânia – possivelmente a equipa mais fraca do grupo – mas aquilo que se esperava que fosse o primeiro passo para o acesso directo à fase final foi um autêntico espectáculo de tortura. A muito pobre exibição, os conflitos latentes e o mal-estar no seio da federação que era agora impossível de esconder, ditaram finalmente o afastamento de Paulo Bento. Vá lá que ainda vamos a tempo, mas é pena o tempo perdido com uma decisão que já se adivinha inevitável. Mas porque há uma cadeira por sentar, já se fala em Leonardo Jardim. Não sei se deixará a rica cadeira monegasca (apesar da equipa cada vez mais delapidada), mas agrada-me saber que também a solução para a nossa selecção pode, mais uma vez, passar por um nosso conterrâneo. Há competência nesta ilha. Haja vontade de a praticar cá dentro também.
Entretanto, dentro das suas possibilidades face às ausências de jogadores em compromissos com as suas selecções nacionais, Leonel Pontes foi preparando a sua equipa para o embate com o Penafiel. Já com todos os reforços à sua disposição, incluindo Mohamed Ibrahim, o treinador madeirense promoveu apenas uma alteração ao onze com que tinha batido o Gil Vicente, fazendo entrar Vidales para o flanco esquerdo e empurrando Weeks para o centro do terreno, em detrimento de Gallo. Perante uma equipa que apenas veio defender (inclusive deixando no banco o seu jogador mais talentoso Aldair), o Marítimo fez o que tinha a fazer, circulando a bola e procurando desequilibrar a defesa adversária, o que nem sempre conseguiu fazer bem, particularmente na primeira parte. Mas, mais uma vez após a palestra de Pontes ao intervalo, a equipa entra mais forte na segunda parte e, numa bela jogada de insistência, surge da cabeça de Fransérgio o primeiro golo e que desbloqueou aquilo que se poderia ter tornado difícil. Destaque para a estreia do egípcio Ibrahim, ainda à procura de entrosamento com a equipa mas há coisas que não enganam: na primeira vez que toca na bola, tira um adversário do caminho e sai chuto à baliza.
O resultado não sofre qualquer tipo de contestação. Ganhou a equipa que mais fez por isso. Com esta vitória, a terceira consecutiva, o Marítimo alcança o quinto lugar. É um bom arranque que tem a curiosidade do Marítimo ainda não ter conseguido marcar qualquer golo nas primeiras partes dos jogos, apontando os seis na etapa complementar. Ainda mais curioso, e ao qual acredito que não é alheia a ‘conversa ao intervalo’, cinco dos seis golos foram marcados entre o minuto 50 e o minuto 60. Falta a equipa conseguir ser mais completa durante os 90 minutos. Mas, para já, não me queixo!
Esta semana ficamos a conhecer o despacho de acusação da Marítimo SAD e seus administradores, pelo crime de fraude fiscal. O caso remota aos anos de 2000 a 2005, e ao processo despoletado por Augusto Inácio em 1998. De forma muito sucinta, trata-se de um processo ligado aos contratos celebrados naquele período com os jogadores e treinadores e ao pagamento dos direitos de imagem daqueles, que o DCIAP interpreta como lesivas ao Estado face à sua impossibilidade de cobrança fiscal. No direito penal português há um princípio que norteia todo o seu procedimento que é o princípio da inocência. Ou seja, todos são inocentes até prova em contrário. A acusação formulada, que resulta de uma série de investigações que arquivaram crimes mais graves como o branqueamento de capitais, não passa ainda disso – de uma acusação – que terá agora resposta por parte da defesa, sendo que o processo seguirá os seus trâmites normais.
Luís Miguel Rosa