Segundo o conceito de destruição criadora (Schumpeter, 1942), a economia gera mecanismos de inovação dos produtos e modelos de negócio, força motriz do crescimento económico, atuando o empresário como protagonista do desenvolvimento e da sustentabilidade, com a introdução de novos bens, modelos de comercialização e mercados. David Bornstein, (Como Mudar o Mundo, 2007) trouxe-nos o conceito de empreendedorismo social, “processo de procura e implementação de soluções inovadoras e sustentáveis para problemas importantes e negligenciados da sociedade que se traduz em Inovação Social” (Santos, F.,2012). Para a Madeira e Porto Santo, avulta a questão económica – como garantir crescimento e disponibilidade de recursos?, e a questão social – como assegurar uma vida digna, bem-estar social, acesso aos bens essenciais, ao lazer e à cultura? No campo económico, no primado da intervenção privada, cabe às tutelas públicas garantir os mecanismos de suporte legislativo, o crédito, a desburocratização, a internacionalização; no âmbito social repartem-se as responsabilidades na busca de soluções para suprir as aflições das famílias e da comunidade, através de estímulos ao mecenato, à criação de postos de trabalho é à missão social das empresas. Manuel Antonio Correia tem deixado bem visível a necessidade de contar, sem submissão política, com o setor privado, com a equidistância que carateriza a sua relação com os interesses empresariais, prosseguindo os objetivos de natureza social que encorajam a sua entrega à causa pública. O caminho da ‘destruição criativa’ aliado ao ‘empreendedorismo social’ constitui a via para atingir o que Sá Carneiro (1974) defendia: “Sem um crescimento económico não sairemos da atual situação de penúria que impõe, sobretudo às classes mais desfavorecidas, uma vida abaixo do nível a que se tem direito". Anima-me a perceção de Manuel António Correia à necessidade de novos métodos e novos protagonistas.
Francisco Fernandes