Aí está mais um arranque do ano letivo. Esse momento tão especial e cheio de emoção para toda a comunidade escolar. Este ano com menos alunos, menos professores, com provavelmente menos condições e menos funcionários em algumas escolas, mas com o enorme e habitual entusiasmo que caracteriza este momento. Enquanto professor, este regresso desperta em mim muita expetativa apurado naturalmente pelo sentido de responsabilidade. Preparo-me para assumir novos grupos de aprendizagem que, como é óbvio, apresentam um grande e variado leque de alunos com personalidades e motivações distintas. Cada um com características e interesses que divergem no denominador comum. Cabe ao professor entender essas especificidades, gerindo com mestria essas variáveis. No fundo, o papel do educador é de gestor de capital humano. Mas a vida escolar vai muito mais além do que a aprendizagem e a sala de aula. É importante provocar momentos em que os alunos possam exprimir-se sobre outros assuntos para além dos que constam no programa curricular. E nós, professores, devemos saber ouvir e orientar. Fazer da escola um espaço de integração, um local onde os alunos se sintam felizes, seguros e responsáveis. Um lugar onde pertencem igualmente os encarregados de educação cuja participação é essencial. Devemos olhar para todos os alunos de forma igual... e diferente. Igualdade de direitos, de oferta e de oportunidades. No entanto diferentes, na sua história, nas suas aspirações, nas suas competências e nas suas capacidades. Respeitar e fazer compreender esta pluralidade é respeitar o aluno e ser respeitado. Neste ano escolar, como em todos, é necessário motivar os alunos para o ensino, despertar a sua sede de conhecimentos. Contudo, esta imensurável tarefa não pode recair apenas sobre o professor, tem e deve ser partilhada com os pais e com os próprios alunos. Trata-se de um caminho que não pode ser percorrido só, mas sim em conjunto. É fundamental a consciencialização de cada um dos alunos acerca do seu percurso escolar e da sua formação, assim como é responsabilidade de quem governa, e da sociedade em geral, olhar com carinho para o ensino. Só deste modo poderemos contribuir para a melhoria das escolas, para a valorização do papel do professor, para a qualidade do ensino. E, consequentemente, para uma sociedade melhor.

Bernardo Vasconcelos Professor Educação Física