É o desespero britânico perante a ameaça real dos escoceses optarem pela independência no referendo da próxima quinta-feira. As últimas sondagens anunciam um empate técnico, enquanto o poderoso Sunday Times até já alertou para a hipótese da vitória do “sim” à separação. Jogam-se os últimos cartuchos, quais ofertas de felicidade eterna capazes de aliciar e fazer pender para um dos lados a vontade da orgulhosa e heróica Escócia. Última cartada britânica à continuidade da união de facto: dar autonomia fiscal e orçamental à Escócia. O que proponho no meu PROGRAMA para UMA NOVA MADEIRA, no âmbito da minha candidatura à liderança do PSD-M, os três grandes partidos políticos britânicos, em conjunto, prometem à Escócia se ela não optar pela independência. Isto é: O REINO UNIDO OFERECE À ESCÓCIA O QUE PORTUGAL NEGA À MADEIRA. O que a Escócia reclama e pretende obter com a separação do Reino Unido, agora é-lhe oferecido se aceitar a autonomia em vez da opção definitiva da independência. Já há dois meses atrás que escrevi que tínhamos de conquistar a nossa Autonomia Fiscal mesmo que nos tivéssemos de revoltar. A Autonomia Orçamental, que já temos, de nada serve sem Autonomia Fiscal. É por isso que na Europa cada Estado para ter Orçamento tem independência fiscal. Não há obrigações europeias em matéria de fiscalidade. A sua importância é tão decisiva para o futuro da Madeira e para o desafogo financeiro desta nossa Região enterrada em dívidas, desemprego e excesso de impostos, que se exigem as medidas políticas mais enérgicas e convincentes para “obrigar” Lisboa a aceitar o que para nós é a diferença entre viver em pobreza generalizada ou tranquilidade financeira. Temos de nos revoltar se persistir a recusa de Lisboa à nossa Autonomia Fiscal. É a mais importante QUESTÃO REGIONAL. Fazermos um Pacto Fiscal, entre Lisboa e Funchal, com responsabilidade, bom senso e ambição suficiente para começarmos uma nova perspectiva de desenvolvimento integral e sustentado, dando às novas gerações um horizonte de qualidade de vida e estabilidade económica e social que agora não temos. VIVA a Escócia e o povo escocês. Não sei adivinhar o resultado do referendo. Mas já ganharam, tanto pela via da independência como da autonomia, o direito à sua própria política fiscal, financeira, orçamental e económica. Parabéns pela coragem, arrojo e determinação. Uma vénia de admiração e respeito ao Reino Unido. A mais antiga democracia no mundo. A maior potência colonial da História. Soube aceitar e realizar a consulta popular, sem medos nem humilhações, sobre a separação da Escócia. O resultado cabe ao povo escocês. A Londres cabe a honra e a dignidade de entender que não se pode, para sempre, forçar a vontade de um povo a séculos de submissão. Contra a sua vontade. Curvo-me perante a Rainha Isabel, no silêncio do seu respeito por este hino à liberdade e pela sua absoluta neutralidade. Afinal, em qualquer dos casos, continuará rainha das terras escocesas. Só haverá vencedores neste referendo. Mesmo para os que tiverem de aceitar resposta contrária à sua vontade. Os escoceses, esses continuarão como escolherem. Mais britânicos, se recusarem a separação. Independentes, se assim o desejarem, a partir do dia que o Reino Unido lhes deu o direito de livremente escolher. Para ingleses, galeses e irlandeses do norte, com ou sem escoceses, a História continua em direcção ao respeito da vontade de cada um. Acompanhei diariamente o debate deste referendo. Mais pela comunicação inglesa, de mais fácil acesso, do que pela escocesa. Tive oportunidade de constatar o empenho do primeiro-ministro britânico em convencer os escoceses a recusarem a separação. Não porque assim tem de ser, mas porque acha que melhor será para o Reino Unido e para a Escócia. Com argumentos e promessas. Sem chantagem ignóbil. Em Lisboa não se esforçariam tanto em nos convencer a não sairmos. Não gostam tanto de nós. E venha a Catalunha, próxima emancipação nacionalista contra um Estado cego, teimoso, opressor e caduco como o espanhol. Que diferença faz um Reino Unido de uma Espanha ! Como iguais são uma Escócia e uma Catalunha. Da Madeira, SOLIDÁRIO, desejo-lhes BOA SORTE e FELICIDADES. A minha luta, a nossa luta por um futuro com mais Autonomia, ganhou um forte impulso, Deus queira decisivo, com os exemplos históricos destes dois futuros Estados. Agora ou mais adiante.
Miguel de Sousa Candidato a líder do PSD-M