O povo madeirense foi confrontado ao longo de séculos com uma enorme escassez de recursos, em particular alimentos, e, por isso, aproveitar os restos das refeições sempre foi uma preocupação essencial à sua sobrevivência. Um dos pratos típicos nascidos dessa condição de carência é a açorda madeirense. Um pão duro de há 2 dias, ou mesmo milho cozido ou batata-doce, água a ferver, uns temperos e estava feita uma nova refeição bem quente. Pior mesmo era quando não sobrava nada do dia anterior, tal era a escassez, sendo impensável, e mesmo pecaminoso, deitar comida fora. Quem neste momento está a tentar fazer uma destas açordas é o PSD-M. A lareira já está acesa e a panela ao lume. A água está quente mas ainda não ferve. Os temperos estão preparados e já libertam no ar o aroma pensado para disfarçar o prazo dos ingredientes. Lá para Dezembro a água entrará em ebulição e o PSD-M irá escolher a sobra a aproveitar. São cinco as candidatas assumidas a fazer parte desta açorda. Todas são restos da governação do PSD e de Alberto João Jardim, uma refeição vezes sem conta requentada ao longo de 40 anos. O problema da açorda que o PSD-M quer servir aos madeirenses é a qualidade das sobras. O pão já não está apenas duro, está bolorento. O milho cozido já não é apenas requentado, está azedo. A batata-doce já não é apenas velha, está podre. Miguel Albuquerque e Jaime Ramos, Manuel António e Cunha e Silva, Sérgio Marques e Miguel Sousa são restos estragados do legado de Alberto João Jardim. Não há açorda que os regenere. Qualquer das formas, os madeirenses sabem que nada deve ser desperdiçado e também para os restos já estragados os madeirenses têm uma utilidade: a borage para os porcos.

Hélder Spínola Deputado da Nova Democracia