O outono está a chegar, mas o verão não desiste e teima em afirmar-se por “parvoidades” que não se esgotam e em que, os seus protagonistas, teimosamente, também não desistem, continuando a proporcionar espectáculo. Optando por não insistir, no que continua bem à vista de todos, em toda uma actividade desenvolvida por uns quantos políticos nacionais e regionais, empenhados que estão em lutas intestinas, entretidos na queima dos últimos cartuxos, fica para mais tarde, em jeito de balanço, um possível comentário que a verdade dos resultados suscite. Assim e, bem mais importante, parece ser, neste momento, o desfecho que se antecipa, pondo termo a outras duas “parvoidades” herdadas de um passado não muito distante, sem ignorar nem menosprezar os antecedentes de qualquer delas, com as suas conotações políticas e, em grande parte, como foi inúmeras vezes referido, em resultado da lentidão de que tem enfermado a nossa justiça, a qual, como parece, está agora na via da recuperação. Sinal dessa mudança, como pode entender-se, foi a evolução do processo conhecido por “Face Oculta” e o do tão badalado “Caso dos Submarinos”, nas últimas duas semanas, a partir do que neste “tempo de parvoidades”, apetece registar, ainda que muito sucintamente e pela positiva, facto para nos regozijarmos, inclusivamente, na sequência de comentários que anteriormente fiz. Em relação ao “Face Oculta” - foi bom constatar que afinal temos justiça e que os arguidos foram efectivamente condenados, incluindo o ex-ministro socialista que, como escrevi, era em 2009 «... sem dúvida a ‘estrela’ dentre os vários arguidos ...» pelas suas “varabilidades”, tal como acontecera ao deixar a Caixa Geral para assumir um cargo no BCP, ao pretender habilmente fazer «... depender a aceitaçao do novo cargo da condição de lhe ser concedida uma licença sem vencimento, sem abdicar do cargo na Caixa Geral, assegurando assim um oportuno regresso à Caixa...». Relativamente ao “Caso dos Submarinos”, como é também de conhecimento público, tem estado a decorrer, a nível da Assembleia da República, uma audição perante uma Comissão nomeada para o efeito que, oxalá, em tempo útil, permitirá desempecilhar a verdade do enredo à volta do crime de corrupção, relacionado com a compra de 2 submarinos para a nossa Armada, e serem incriminados todos os criminosos – corruptores, corruptos e intermediários. De especial relevância foram as declarações, perante a já referida Comissão, do ex-representante em Portugal e Administrador da empresa gestora do consórcio alemão, a quem foi adjudicada a encomenda, a Ferrostaal. O ex-administrador da empresa, agora reformado e a residir em Portugal, que foi presente a julgamento no Tribunal de Munique (Alemanha) procurou, em depoimentos que fez, alegar a sua inocência, não obstante ser de conhecimento público o desfecho do julgamento e a condenação pelos tribunais da Alemanha, provado que foi e pelo mesmo confessado, o crime de corrupção, relacionado com a célebre encomenda - iniciada no tempo do Governo de Sócrates e que ainda dá que falar – de que resultou a sua condenação, mais exactamente, uma sentença com pena de prisão por dois anos, a ele e ao Administrador Geral da empresa-mãe, entretanto falecido. A sentença, efectivamente proferida em 15 de Dezembro de 2011 foi notícia na nossa imprensa, mas as penas acabaram por ser suspensas, a troco do pagamento de pesadas coimas pelos próprios e pela Ferrostaal, que terão ultrapassado os 150 milhões de euros, de que beneficiou a economia alemã, obviamente, a custos do nosso tão depauperado erário público, que suportou, igualmente, o custo mais que empolado dos submarinos encomendados ao consórcio alemão que, no total, terão ultrapassado os mil milhões de euros.

Francisco Leite Monteiro