Neste mês das vindimas os agricultores produtores de uvas, particularmente os que produzem a casta negra mole, por ser a de maior produção na região, são confrontados com os mesmos problemas, valor do grau, escoamento e sobretudo o preço por kg. A juntar aos problemas de sempre, este ano o agricultor está ainda confrontado com muita chuva desde o início do mês o que irá provocar naturalmente algum apodrecimento das uvas. É verdade que o Governo Regional e o Instituto do Vinho não são culpados pelas situações climatéricas, mas, já é sua obrigação definir uma estratégia de apoio ao sector para estas eventualidades de modo a não ser sempre o agricultor a suportar sozinhos os prejuízos. O governo regional tem de assumir claramente se os vinhos produzidos na madeira são importantes para a economia regional e local e para o prestígio da região. Tendo em conta a orografia e localização dos terrenos os custos e o esforço físico do agricultor são enormes por ser quase na totalidade à força de braços e o agricultor não é devidamente compensado no seu empenho pelo verde da paisagem enquanto cartaz turístico. De acordo com os técnicos, nomeadamente os enólogos, menos uvas significa melhor qualidade. Isso é uma verdade absoluta. O problema é que para o agricultor, menos uvas e menos grau representa menos dinheiro e os mesmos custos de produção. Por outro lado, refira-se que nos últimos anos todos os custos de produção têm aumentado e curiosamente o preço por kg de uva tem diminuído. Por isso, os agricultores aguardam com espectativa que na eventualidade dos prejuízos serem este ano significativos devido à antecipação das chuvas que o governo regional os compense pelas perdas. Quem convive diariamente com os agricultores sente que a pequena agricultura dos poios verdes está seriamente ameaçada.
João Isidoro Gonçalves Presidente do MPT-M