“O luar Do luar não há mais nada a dizer A não ser Que a gente precisa ver o luar” Gilberto Gil 1. Cerimónia da Abertura Oficial da Madeira Multilingual School. Patente a crença de que a educação de qualidade seja a nova fronteira do desenvolvimento humano. Estudantes, pais e encarregados de educação, professores, trabalhadores, convidados, muita movida, na sequência da I Semana Cultural das CPLP Multilingual Schools/Festival Sons da Lusofonia. Com a meta de incrementarmos uma dinâmica da produção e partilha do conhecimento, da extensão escolar, da inovação, da arte e da cultura, o certame correu globalmente bem. 2. Era uma questão crucial terminarmos o certame com uma Mesa Redonda sobre o Multiculturalismo. Fazê-lo para inferirmos a necessidade de uma oferta educativa multicultural mais crítica e capaz de interrogar sobre a segregação das diferenças, o racismo e a homofobia, a exclusão social e política, as desigualdades gritantes. Agora, os nossos pensamentos regressaram ao livro “Gender, Class, and Multiculturalism”, de Angela Davis. que admitia o Multiculturalismo como uma estratégia imposta pelo modo de produção capitalista para obter mais-valias e expandir o lucro. Inferir como o Multiculturalismo pode ser determinante para que os estudantes ganhem critical thinking. 3. A todos, queríamos deixar um particular agradecimento, pela forma marcante como contribuíram para o bom cumprimento do programa da I Semana Cultural das CPLP Multilingual Schools/Festival Sons da Lusofonia. Temos que pôr efetivamente em movimento esta iniciativa. Vamos encarar? 4. A ideia é criarmos um centro multicultural africano no coração de Lisboa. Sem Estado. Sem Estados. É pá...sem Estados. A gente precisa ver o luar... 5. Alvorada em mancha Não se sabe bem quem determina o alvor, Quando, súbito, a mancha da madrugada Aquieta, só de tiritar estrelas, o cromático E emerge, tão benta quão azulada, do mar. Nem se sabe, das aves a louvarem o sol, Qual delas, sem bando, voa a marcha-ré, Como se desconhece o desandar solitário Do homem, em desassossego e contramão. O mais é a manhã que se compõe em festa, Não fosse tudo luz a sonegar vez a sombra, Ou viesse ela instalar dissonância a música. O coevo atrito desse bocejar dos semideuses, Apartados estes do quotidiano que flui lá fora, Esquecidos ainda do louvor coletivo deste dia.

Filinto Elísio