Um verdadeiro debate sobre Educação Artística deve incluir o Ensino Particular. O Atelier de Piano, o Estúdio M, o GIG, o Estúdio 21, a Escola de Música da Associação Musical Xarabanda, são exemplos de escolas particulares de ensino musical. A sua importância reside no facto de serem uma alternativa e uma variante ao ensino oficial, quer seja o especializado quer seja enquanto atividade de ocupação de tempo livre. É preciso voltar um pouco atrás no tempo, o final do séc. XIX, para encontrarmos na cidade do Funchal as primeiras referências ao ensino doméstico da música. Nomes estrangeiros, ingleses e espanhóis, mais tarde também portugueses, apresentavam-se em pequenos anúncios na imprensa escrita de então. Alguns professores, lecionavam nos próprios hotéis onde estavam instalados, iniciando em troca dessa permissão, a atividade que todos conhecem por «Noites da Madeira» e que, na sua base significava audição musical durante o «chá da tarde», ao «jantar» e «soirée». Esta última podia incluir outros instrumentos para além do piano (violino, violoncelo, flauta transversal e voz), em revisitação de repertório europeu, dos clássicos às canções de Music Hall e teatro musical inglês. Outros professores particulares de música recebiam os alunos em suas casas ou deslocavam-se às casas dos alunos mais abastados onde davam as suas lições. Ensino individualizado, embora amador, esta forma centrava-se em cada aluno e nos seus reais interesses. Voltando ao séc. XXI, todas estas escolas particulares têm um vínculo livre com os seus alunos: Isto é, prestam um serviço que aproveitado pelos alunos os transforma, na área escolhida (Clássico, Swing/Jazz, Bossa Nova, Rock, Pop ou Música de Tradição Portuguesa), em músicos felizes! Felizes com a sua aprendizagem, com o seu ritmo de evolução - sem stresse. Por contraponto, muitos alunos das escolas oficiais, sofrem com as terríveis audições…do 1º, 2º e 3º períodos, mais as atuações obrigatórias em eventos, calendários e situações que não puderam escolher (nem os pais tão pouco). A criação de novo público, (ouvintes, amadores de música esclarecidos e quem sabe, potenciais futuros músicos profissionais), assume nestas pequenas estruturas um outro significado. O primeiro tenor madeirense de renome mundial, Nuno Lomelino Silva, era um amador de música (apenas frequentou aulas particulares), o que não o impediu de gravar para a «His Master Voice» em 1926 e transformar-se numa celebridade. As escolas de música não podem ser fábricas, cinzentas e ensombradas, em métodos e manuais que servem obrigatoriamente a todos, de igual forma. A música, ou traz felicidade ou então, os números propagandeados em ‘’dados e estatísticas’’ são apenas propinas pagas e lucro fácil.
Vítor Sardinha Músico