Existem um cem número de hipóteses acerca da nossa sociedade que se emparelham com as suas respectivas antíteses, e que servem bem o propósito de a caracterizar. Servem bem para nos conhecermos. Poluímos sem regras… poluir não é assim tão mau, pois dá a oportunidade de haver trabalho para quem limpa a poluição. Criamos armas sem regras… a criação de armas e a guerra não são assim tão más, pois dão a oportunidade de haver trabalho para quem faz armas e para as construtoras reconstruírem o que for destruído. Comemos sem regras… comer comida menos saudável não é assim tão mau, pois dá trabalho a quem faz essa comida e aos médicos que nos tratam da saúde. Educamos sem regras… esta educação não é assim tão má, pois perpetua o individualismo e a competitividade. Estamos envolvidos nestas teses, e outras semelhantes, em maior ou menor medida, e é na menor medida possível que reflectimos sobre elas. A lógica aqui é claramente economicista, onde acima se lê “sem regras” poder-se-ia ter lido “com o propósito de alimentar o sistema económico instalado”. Pois a mentalidade na actualidade, e por força da propaganda monotemática dos grandes partidos e dos grandes interesses, é o dinheiro, é o trabalhar para dinheiro, é o viver para o dinheiro. Se a antítese fosse rejeitar o sistema e modelo económico, a síntese não seria certamente negar por completo qualquer valor ao dinheiro, seria antes algo na linha de uma iniciativa de transformação da consciência da sociedade portuguesa e do mundo, e que até pode estar a ser gestada na forma legal de um partido político, o PAN.
Rui Almeida Deputado do PAN na ALM