António Marques da Silva Vamos relembrar, muito sucintamente, certos pontos. Toda a zona da Palestina foi durante séculos dominada pelo império otomano, mas posteriormente os ingleses apropriaram-se desses territórios, habitados por palestinos e onde em tempos existiu o reino dos hebreus, povo com a mesma origem étnica dos outros povos que habitavam essa vasta zona, no médio oriente. Os hebreus (judeus) abandonaram o território de origem e tiveram a sua triste e difícil errância pelo mundo onde enfrentaram terríveis opressões e humilhações nos vários países em que se ?xavam. Foram alvo do terrível Holocausto perpetrado pelos nazis. Mas resistiram: povo ?rme na sua religião, inteligente, industrioso, via o seu êxito junto de outros povos motivarem a inveja destes, o ódio a religião hebraica e as odiosas perseguições. Depois da guerra de 1939-45, os ingleses lembraram-se de “oferecer” um território aos israelitas para sua pátria, precisamente na Palestina. Choveram para o reduzido espaço da novel nação, israelitas vindos de todo o mundo. Todavia os palestinos autóctones encararam mal esta intromissão e o novo estado de Israel, para se ?rmar, teve de enfrentar duras lutas em que recorreram a actos que hoje chamamos de terrorismo. Triunfaram e os judeus tiveram o seu estado, aprovado pelas Nações Unidas a partir de 1948. Sucedem-se várias guerras em que o exército de Israel bem preparado e acutilante obteve vitórias estrondosas, nomeadamente as derrotas impostas a Nasser com a conquista dos vastíssimos territórios do Sinai e outras possessões nos territórios palestinianos nomeadamente a faixa de Gaza de que depois se retiraram. Se víssemos os mapas da zona com indicações cronológicas teríamos uma visão clara da progressão da opressão israelita e da pulverização das zonas palestinianas em enclaves e cidades distanciadas, ainda por cima condicionadas pelos todo-poderosos judeus. Ha poucos dias um deputado do CDS em debate com João Soares, num linguajar nervoso e insistente, mais parecendo um judeu ortodoxo justificou, ou pareceu justificar, a existência de um só estado - Israel, pelo facto de um eventual estado palestiniano não ser possível dada a dispersão dos seus pobres povoados. Está claro que isso resultou, não de uma causa natural, mas da implacável guerra de Israel, sempre apoiado pelos Estados Unidos. Honra seja feita a Isaac Rabin , Arafat e o Presidente Clinton que em 1993 tentaram a mais séria tentativa de Paz. Malogrou-se, mas a generosidade do Judeu Rabin valeu-lhe o seu ignóbil assassinato às mãos de um judeu ultra-ortodoxo. Ha a tendência em se equiparar a maldade do Hamas e a cruel brutalidade israelita, a partir do implacável Nataniau. Nada de mais errado: os atacados, oprimidos e sacrificados são os palestinianos; os israelitas são indiscutivelmente os opressores. O que se veri?ca em Gaza é extremamente doloroso. Como se admite que um exército poderosíssimo ataque cobardemente um povo encurralado, sem recursos de defesa senão a dos “rockets” que afinal, e felizmente, são facilmente neutralizados pelo sistema defensivo israelita? Na minha adolescência li livros sobre o Holocausto e chorei pelos judeus através do “Diário de Anne Frank”, Primo Levi e outros. Será que as grandes vítimas do nazismo poderiam um dia supor que alguns dos seus descendentes assumiriam processos nazis?