O PSD/M que defendo, profundamente humanista, alicerçado no valor supremo da dignidade da pessoa humana, apostado num verdadeiro processo de desenvolvimento humano, em que o objetivo é, não apenas mais desenvolvimento económico, mas também mais coesão social e menos pobreza, tem imperiosamente de pensar nas melhores respostas à situação de emergência social em que vivemos. Desemprego elevado, perda acentuada de rendimento, carência alimentar (mais de 50 000 pessoas dependem de programas públicos de ajuda alimentar) são situações às quais não podemos fechar os olhos e fazer de conta que não existem. Expresso a minha solidariedade a todos aqueles que em resultado da grave crise que atravessamos vivem numa situação de grande dificuldade e precariedade e experimentam um sentimento de desencanto, de frustração e mesmo de desespero. Não esqueço em especial os nossos conterrâneos que ficaram sem trabalho ou que tiveram que emigrar, bem como as inúmeras empresas que sucumbiram e as muitas confrontadas com situações aflitivas. O PSD/M orgulha-se de ter como valores primaciais do seu ideário o valor da solidariedade. O Estado Social que urge reformar para melhor o preservar é bem a expressão deste valor. Mas neste artigo quero apenas alertar para a necessidade de melhor aproveitarmos o enorme potencial de solidariedade existente na sociedade civil Importa por isso reforçar e melhor organizar a rede social de combate à pobreza e de apoio aos mais carenciados. Uma verdadeira rede de solidariedade social resulta da parceria estabelecida entre o setor público (RAM e autarquias) e as inúmeras Instituições Particulares de Solidariedade Social que desenvolvem no terreno um trabalho notabilíssimo em prol dos mais desfavorecidos da nossa sociedade. Uma palavra de agradecimento sincero a todos os cidadãos que em regime de puro voluntariado dedicam parte significativa do seu tempo àqueles que necessitam de ajuda. A crise social só não se tem feito sentir ainda com maior intensidade devido ao efeito amortecedor do trabalho desenvolvido por todos estes voluntários ao serviço das IPSS. De enaltecer também o trabalho dedicado de muitas Juntas de Freguesia que reorientaram as suas prioridades no sentido de privilegiar a ajuda social. Vamos necessitar cada vez mais do setor solidário ou como também é conhecido do terceiro sector. A economia social representa já em Portugal 5% do PIB e emprega entre 250 000 e 400 000 pessoas. A perspetiva é no sentido do seu crescimento. Na União Europeia o peso deste sector atinge quase 10% do PIB. OS problemas com que tem de lidar em Portugal tendem a agravar-se, em função do envelhecimento da população, do aumento da pobreza e das desigualdades sociais, da ausência de crescimento económico e da retração do Estado Social. A Madeira, onde a pobreza cresce, sente na pele toda esta problemática. Razões que aconselham a que reflitamos sobre a forma de dar mais eficácia à parceria virtuosa entre o sector público e o sector solidário. Com os mesmos recursos, temos todos de fazer mais, melhorando a coordenação e a articulação entre todos os agentes que fazem parte da rede, de forma a libertarmos sinergias que se traduzam numa melhor resposta social. Uma melhor resposta social imbuída da ideia de que é crucial, ajudar as pessoas a ajudarem-se a si próprias, tendo em vista mobilizar a vontade e a capacidade empreendedora de cada um no sentido de romperem com a situação de pobreza e carência em que se encontram. Em suma, e adaptando o velho provérbio chinês: sempre que possível não dês o peixe, dá antes a cana de pesca, e não menos importante, ensina a pescar.
Sérgio Marques Candidato a líder do PSD-M