Acontecimentos ocorrem a um ritmo vertiginoso que nos põe a nu a fragilidade do sistema que tomou conta do nosso quotidiano. A crise que hoje assistimos não é apenas económica e financeira. É também e, talvez principalmente, uma crise de valores e de cumprimento de normas que toda a sociedade está sujeita. Tudo é possível no mundo de hoje, ultrapassando-se os mais elementares patamares de ética e de respeito pelo outro. A ganância e o desejo do poder financeiro ultrapassa tudo e todos sem olhar a meios para os alcançarem. Constroem-se poderes financeiros alicerçados em bases falsas e ao arrepio das mais elementares regras de funcionamento da sociedade que ao serem descobertas arrastam consigo falências, desemprego e perda de credibilidade. Tudo hoje se passa com as maiores das naturalidades, pais que abandonam filhos por serem portadores de enfermidades, por não quererem abdicar do seu conforto e individualismo, empresas que descartam trabalhadores competentes e qualificados com idades próximas da reforma porque oneram demasiado os custos administrativos de gestão, esquecendo-se das mais-valias que trouxeram às empresas, nos anos de dourados de lucro, e que para o manterem ou aumentarem, mesmo em tempo de crise, optam por dispensar colaboradores que sempre deram acréscimo de facturação.
José Manuel Oliveira