Neste momento, a nível da região, do país e internacional assiste-se à tentativa maniqueísta de “separar as águas”, classificando-as em Bom e Mau. O Bom pretende-se impoluto, portador de todas as virtudes, com promessas de amanhãs que cantam, ao passo que o Mau materializa tudo o que não presta, carrega consigo todas as culpas. O Mau está intrinsecamente associado ao conceito de pecado, não tendo a ver com a responsabilização de quem prevaricou, quer por ações quer por cumplicidades ou por omissões, e não pretende fazer entender como foi possível as coisas acontecerem, chamando em simultâneo os “responsáveis” a contas de forma exemplar e dissuasora, de forma a prevenir futuras ocorrências. Pelo contrário, entendendo-se o Mau como pecado, no mais puro sentido judaico-cristão, pretende-se tão-somente atribuir culpas, separando desse modo o criador da criatura. Assim, o pecado pode ser expiado e perdoado, até porque normalmente as culpas, sobretudo as mais danosas, são do foro político e não são passíveis de cadeia mesmo que prejudiquem gravemente as pessoas durante gerações. Deste modo, separados criador e criatura, pode o primeiro, depois de um ou outro percalço, seguir a sua vida, ficando a criatura para alguém resolver. Por aqui, a culpa é exclusivamente do Alberto, ele é o mal, não são responsáveis os que o elegeram, que o bajularam, que se encheram, à sua sombra e sob a sua proteção, que foram coniventes e agentes, que criaram este monstro que a todos nos devora, aos nossos filhos e aos nossos netos (se ou houver). Este sistema corrupto, clientelar, insustentável e absolutamente falido, onde a subserviência e a incompetência campeiam, pertencem conjuntamente com Alberto, ao Mau PPD. O Bom PPD, é composto pelos outros, pelos que agora afirmam, “eu não estive de acordo”, ou, como se viu em Nuremberga, “foram ordens…eu só fiz o meu trabalho”. Aparecem agora recauchutados, branqueados e lavados, maquilhados de progressistas, cheios de propostas (as mesmas que rejeitaram anteriormente quando apresentadas por outros). Promovem reflexões e debates apressados, levantam problemas, fazem críticas, dizem, até, imagine-se, “o rei vai nu”. Cavalheiros, estão 40, 30, 20, 10 anos atrasados. Então, seria útil o que pretendem fazer agora que o leão está com os pés para a cova. Os senhores são igualmente responsáveis pela situação atual, pela dívida, pelo PAEL. Tenho a esperança que os eleitores entendam que são farinha do mesmo saco. O Bom BES O Bom BES, do qual ainda ninguém sabe a real dimensão da hecatombe, vai ser, à semelhança do BPN, pago integralmente por nós. Mesmo que se trate de dinheiro da EU, consignado à capitalização dos bancos, acabará por ser pago pelo contribuinte português, ano após ano, através de sucessivos orçamentos retificativos. À custa dessa situação teremos mais cortes nos salários e nas pensões, menos estado social. A maior garantia que temos que uma coisa má irá acontecer, é a afirmação de Passos Coelho de que ela não acontecerá de modo nenhum. Como se sabe, o Primeiro Ministro garantiu, neste caso, que o BES não custará nem um cêntimo ao contribuinte português. Quanto ao Mau BES, é culpa apenas do Salgado, como já aconteceu com Oliveira e Costa no BPN. Os conselhos de administração, diretores das várias instituições, revisores oficiais de contas, colaboradores a todos os níveis, ou Banco de Portugal, nada tiveram a ver com o assunto. Israel/Hamas Os Maus, por também serem porcos, feios e terroristas são os do Hamas. O Bom neste caso é indubitavelmente Israel, apesar de terem desde os anos 50, desalojado e exiladas centenas de milhares de palestinianos das suas terras, das suas casas, das suas vidas, privando os que ficaram dos indispensáveis meios de subsistência. Um estado altamente tecnológico pago, suportado e protegido pelos americanos que não só lhes fornecem as balas que irão matar as mulheres e crianças palestinianas, como vetam no Conselho de Segurança de ONU, todas as sanções propostas pela comunidade internacional. O Hamas é, sem sombra de dúvida, uma organização terrorista, porém para os combater não pode um estado democrático como Israel, bombardear escolas e hospitais, mesmo tendo sido informado de que estes eram locais de refúgio da responsabilidade das Nações Unidas. O facto de alegadamente conterem armamento e terroristas é irrelevante pois o bombardear alvos civis, mulheres e crianças é crime de guerra, é crime contra a humanidade. Os judeus são um povo que especialmente não poderia cometer genocídio, pois a ele foram sujeitos. Enquanto a eleição dos presidentes dos EUA depender do dinheiro do lobby judeu, esta situação não se alterará e Israel terá mão livre para fazer o que lhe aprouver.

Helder Melim