O adepto de um clube é aquele que vê e sente para lá do compreensível. Quantas vezes vos perguntaram se estavam bem? O discutir, o insultar, o ir para lá da razoabilidade, o “declamar” de poesias vernáculas contra o árbitro, o treinador, o jogador que rematou ao lado, que acertou no poste ou falhou de baliza aberta, o tal golo que nós conseguíamos fazer “com uma perna às costas”, o falar só, o “conversar” com a televisão. A azia da derrota, a arrogância e o cinismo da vitória, já que o empate depende de outros factores, podendo ser bom ou mau.
Não é, nem nunca será fácil a um adepto e note-se que falo do adepto e não do simpatizante, uma vez que enquanto o simpatizante gosta e segue o clube, o adepto sente e vive o mesmo, e como tal nunca será fácil ao adepto assistir a saídas de jogadores que podem mexer com a estrutura da equipa e ainda mais se o substituto não for alguém que possa colmatar ou fazer esquecer o anterior jogador. Tudo isto a propósito das normais mexidas neste inicio de época. Dirão os que não são adeptos que isso não faz sentido uma vez que todos os anos é a mesma coisa, que entram e saem jogadores, mas lá está, para o adepto não é assim tão simples, não é apenas o “jogador”, é sempre aquele jogador, o tal que mexe com a dinâmica da equipa, o tal que não podia ser vendido e o que aconteceu? Foi exatamente aquele que foi vendido e, pasme-se, por um valor que para o adepto não corresponde aquilo que ele entende como justo, e preço justo é sempre para cima dos muitos milhões. O adepto compra e vende jogadores e trata desses negócios como sendo seus, “comprei”, “vendi”, “emprestei”.... O adepto é um romântico, os jogadores da sua equipa são os melhores do mundo e mesmo que não o sejam, encontram sempre um detalhe que o transforma em algo de extrema utilidade. Mas o romantismo por vezes tem o efeito contrário, se esse jogador faz algo que o adepto entende como atentatório ao clube, passa do “altar” ao “fogo do inferno” e de adorado a “persona non grata”.
Muitos destes adeptos olham para estes jogos treino com os mesmos olhos de quem vê uma final, não percebendo o alcance destes jogos. Quer ganhar de qualquer jeito e sobretudo quer ver uma boa exibição e não é para isso que foram criados estes jogos. A transmissão televisiva destes jogos empola esse sentimento. O adepto romântico sente e vive o seu clube, a sua equipa e isso não se explica. No próximo mês, porque este é sempre mais calmo e propicio a outras coisas, abordarei o novo regulamento de apoio ao associativismo desportivo que está a nascer no Município de Santa Cruz. Boas férias!
Duarte Vieira